Um grito inexpressivo

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Publicado segunda-feira, 17 de janeiro de 2005 as 09:56, por: cdb

Já está em cartaz há semanas o filme de terror O grito. Ju-on é o original, dirigido pelo mesmo Takashi Shimizu, que assina a versão hollywoodiana. No elenco a atriz Sarah Michelle Gellar. Engraçado que Ju-on já é uma trilogia (o terceiro filme já foi anunciado, lá no Japão, para esse ano). O que nos leva a imaginar que o mesmo vai acontecer com o enlatado americano.
 
Ano retrasado foi aos cinemas O chamado, outro terror inspirado em um original japonês. As semelhanças entre O chamado e O grito são todas. A mais importante de todas, que diz respeito à origem do susto (ou do medo), é a mais interessante. Os dispositivos usados para causar uma espécie de choque no espectador são sempre os mesmos: som e montagem. O truque se repete exaustivamente, deixando um cansaço na trama. O segredo: cortes ligeiros e um som abrupto, que mais assusta pelo som em si (silêncio-barulho-silêncio) e pela quantidade de imagens mostradas de forma bruscas. Essa é a forma mais fácil de causar um medo no espectador. Revela uma certa pobreza por parte do diretor. Fácil causar surpresa, difícil é causar suspense, como bem observou o mestre Hitchcock. O grito e O chamado são filmes de surpresa mais do que filme de terror ou suspense. Para se criar um clima de terror, obrigatoriamente existe uma “escalada” de suspense. Se nesses filmes essa “escalada” praticamente inexiste, o resultado final é uma história de vivos e mortos pasteurizada.