Um dos três acusados de matar advogado é absolvido no MT

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Publicado quinta-feira, 16 de outubro de 2003 as 04:43, por: cdb

O promotor Theodósio Ferreira de Freitas pediu na última quarta-feira a absolvição de um dos três acusados pela morte do advogado Celso Mendes Quintela, em 26 de novembro de 1982, em Várzea Grande.
 
A perícia apurou que a arma que João da Silva Filho, o João Viola, utilizou na noite do crime, da qual teria partido o tiro que acertou Quintela, não prestava e que o disparo não partiu daquela arma. O outro acusado a sentar-se no banco dos réus foi Daniel Germano Gonçalves.

Na época, a morte de Quintela foi vinculada a denúncias que vinha fazendo de crimes eleitorais. Ele disputava a prefeitura juntamente com o atual prefeito do município, Jaime Campos, que então concorria a um cargo eletivo pela primeira vez.

Daniel Germano Gonçalves e João Viola tinham sido enquadrados no artigo 121 por homicídio simples, sujeitos a uma pena de seis a 20 anos de prisão. No julgamento de ontem à tarde, o promotor dispensou as testemunhas de acusação. E defesa apresentou apenas uma.
 
Theodósio Freitas pediu aos jurados a condenação de Daniel, porém entendeu que houve atenuantes, daí sugeriu uma pena entre seis e sete anos, o que levaria Daniel a cumprir a pena em regime semi aberto. Até o fechamento dessa edição, o veredicto ainda não havia sido definido.

Quintela vinha investigando a falsificação de títulos eleitorais. O Ministério Público entendia que o advogado havia sido atraído para um cilada na alameda Júlio Muller. Alguém teria ligado para ele informando que tinha provas das falsificações. Chegando lá, Quintela foi atacado pelos acusados.

Durante seu depoimento, João Viola disse que quando chegou ao local viu vários carros cercando o veículo de Quintela. Ele contou que ouviu um grito e puxou uma arma para tentar defender o advogado que era seu amigo.
 
– Puxei o gatilho, só que não me lembro se saiu o tiro ou não – disse João, que afirmou, ainda, que o revólver estava apontado para baixo.

Daniel Germano foi levado a Júri Popular em 2001, mas acabou sendo absolvido porque o Tribunal do Júri de Várzea Grande decidiu na época pela desclassificação do crime de homicídio para o crime de lesões corporais. Daniel voltou a sentar no banco dos réus ontem à tarde porque o Tribunal de Justiça acatou recurso do MPE.
 
Em seu depoimento, Daniel disse que Quintela seqüestrou seu irmão Timóteo porque soube que na casa dele havia títulos de eleitores falsos. Quando soube, através de sua cunhada, que o irmão havia sido seqüestrado, Daniel disse que saiu numa caminhonete C-10 à sua procura. Na avenida da Sadia ele viu uma caminhonete D-10 vermelha, parada, num local escuro.
Quando parou, em sentido contrário, viu sair do veículo Celso Quintela, que estava armado.

– Ele perguntou: o que vocês querem? – falou.

Daniel disse que queria que soltasse o irmão. Nesse momento Quintela teria ameaçado:
 
– Levantem as mãos porque vocês vão morrer.

Colocado dentro da caminhonete, Daniel disse que alguém o feriu com um faca, num golpe ‘desferido de cima para baixo’. Para se defender, ele agrediu Quintela com uma chave de roda.