Um aspecto pouco comentado sobre a guerra contra o Iraque

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Publicado quarta-feira, 5 de novembro de 2003 as 16:49, por: cdb

Existe um aspecto pouco comentado dessa guerra dos  EUA contra o Iraque, que começa a fazer tantas vítimas. Foi um juiz francês  que levantou, mesmo se depois houve  desmentidos. O governo francês, que ficou contra os EUA para não se meter nessa  guerra boomerang, esta mesmo assim preocupado.

Muitos jovens das periferias das grandes cidades francesas: Paris, Lyon, Marseille, onde vivem a segunda e terceira gerações de  imigrantes vindos do Norte da África, sumiram e foram se unir ao movimento  extremista muçulmano. Segundo informações destiladas na França, fariam parte desta internacional extremista da guerra santa contra o Ocidente.

Uma pequena volta para se entender o porquê da  revolta destes jovens. Nos anos 60, a França importou mão-de-obra argelina,  marroquina, tunisiana e foi explorando este pessoal, sem pensar que teriam  filhos, em prédios de apartamentos sem qualquer preocupação social. O governo  socialista garantiu nacionalidade aos filhos desses imigrantes, mas não  conseguiu acabar com a marginalidade em que viviam. Numa época de desemprego,  quem tem nome ãrabe encontra muito mais dificuldade para encontrar  emprego.

A revolta por esta situaçao tem criado  delinqüentes, pivetes, parecidos com os das áreas urbanas de São Paulo e Rio, mas pregadores muçulmanos. Fazem mais ou menos o que fazem os evangélicos, conseguindo converter uma parte desta moçada. Porém, entre esses pregadores existem os da linha fundamentalista, da guerra santa, que consideram nossa  civilização abominável e pecadora. Seus seguidores são levados para campos  de treinamento antes situados no Afeganistão. Uma parte deles estaria, agora, lutando no Iraque contra os americanos.

Qual a preocupação francesa? A de que, quando os  EUA saírem do Iraque, esta frente guerreira da jihad se desloque para a Europa.  Este um outro aspecto da guerra contra o Iraque que militares e republicanos americanos não viram ao pensar que dariam um passeio pelo Oriente  Médio. O nível de segurança das cidades européias, a partir de então, estaria tão vulnerável quanto a casca de um ovo.