Um ano da vitória de Lula

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Publicado terça-feira, 28 de outubro de 2003 as 10:28, por: cdb

Na noite de 27 de outubro de 2002 o Brasil sabia o nome do seu novo presidente. Sabia também que era um operário, um brasileiro simples, pobre e honesto como a grande maioria dos brasileiros. Aquela foi a mais brilhante de todas as noites do Brasil. Foi como se todas as estrelas da constelação brilhasse, num só instante, sobre a terra do Brasil. A esperança, enfim, venceu o medo. A vitória de Lula representou a vitória de todos e todas que sempre acreditaram no povo brasileiro, que sempre lutaram a favor do Brasil. E também a vitória daqueles que nunca lutaram, porque não puderam de tão massacrados que eram. Os pobres se alegravam com a vitória do presidente Lula e os governantes da Terra inteira lhe prestavam homenagens, reconhecendo o fenômeno e o significado de sua eleição. As ruas do Brasil ficaram tomadas de uma contagiante alegria. Nunca houve um carnaval tão lindo como aquele, mas não poderia ser fantasia. Pois, vivemos até aqui sob fantasias e desilusões. Agora era a vez da esperança, da verdade, da vitória do Brasil dos brasileiros.

Um ano se passou e, na noite de 27 de outubro de 2003, as notícias nos jornais mostravam um operário, agora presidente, discursando para os socialistas do mundo, defendendo a soberania do nosso país. Mais uma vez Lula nos deu orgulho e esperança. Ele teve a coragem de criticar o protecionismo dos países ricos e defender um lugar ao sol para os povos excluídos. “Há economias que pregam o livre comércio, mas praticam intensamente o protecionismo. Querem tarifa zero nas relações comerciais, mas não abrem mão de subsídios, que hoje alcançam US$ 1 bilhão por dia”. A eleição de Lula representou a vitória da esperança sob o medo e da verdade sob a mentira secular, então ele deve falar a verdade que fere os poderosos e renova a esperança do povo brasileiro. É isso que nós queremos do governo Lula. Que ele tenha a coragem de defender o Brasil e, como líder de um povo solidário, defender a causa dos pobres de toda a Terra. E se assim o fizer nunca estará sozinho.

Desde que Lula se tornou presidente do Brasil, poucas coisas mudaram de verdade, mas o governo brasileiro conseguiu mostrar que é possível nos tornarmos uma nação independente, com autonomia própria  sem ser mercenários de países de primeiro mundo. Lula tenta dizer que a soberania, a liberdade e o bem estar de um povo não podem ser construídas sob a decadência de outros povos. É possível, pois, construir um mundo “mais solidário, menos desigual e mais democrático”. Esperamos que a coragem, com que Lula enfrenta as questões externas, esteja vivamente atuante no enfrentamento político do governo para a realização da Reforma Agrária e outras mudanças estruturais que são urgentes para promover a justiça social dentro do Brasil. Ao completar mais um ano de vida e um ano de sua eleição para presidente do Brasil, Lula merece ser homenageado por tudo o que fez como pessoa, operário, sindicalista e político. Mas também pode ser advertido de que o povo tem pressas de ver e viver as mudanças prometidas. É bom e bonito celebrarmos o dia em que a esperança venceu o medo. Mas é preciso lutar insistentemente para que a esperança vença a miséria e a fome.

Frei Pilato Pereira
– Teologia/ESTEF – pilato@terra.com.br