Últimas homenagens a José Alencar param o centro da capital mineira

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Publicado quinta-feira, 31 de março de 2011 as 13:49, por: cdb
O governador Anastasia (C), o senador Aécio Neves e o ex-presidente Lula (D) compareceram ao velório em Belo Horizonte
O governador Anastasia (C), o senador Aécio Neves e o ex-presidente Lula (D) compareceram ao velório em Belo Horizonte

O centro da capital mineira praticamente parou para acompanhar o cortejo com o corpo do ex-vice-presidente José Alencar. O caixão foi transportado por um carro antigo do Corpo de Bombeiros, o mesmo que transportou o do ex-presidente Tancredo Neves, em 1985. Muitas pessoas acenavam, aplaudiam e tentavam registrar o momento com câmeras de celular. Algumas delas seguravam a bandeira do Brasil, lenços roxos – demonstrando luto –, cartazes com agradecimentos, fotos de Alencar e reportagens de jornal falando do ex-vice-presidente.

Até os trabalhadores pararam as obras nos altos dos prédio para acompanhar o carro. Ao passar pela Praça 7, palco do último discurso feito por Alencar, o cortejo foi recebido por uma chuva de papel picado. Esse discurso foi feito durante a campanha pela disputa do segundo turno das eleições presidenciais, quando Alencar mesmo debilitado pelo tratamento do câncer decidiu subir em carro aberto e pedir apoio a Dilma Rousseff. Ao passar em frente à prefeitura, a sacada do prédio estava tomada por funcionários, e as bandeiras hasteadas a meio mastro em sinal de luto. O cortejo também passou em frente à Câmara de Dirigentes Lojistas, da qual Alencar foi presidente, e muitos funcionário renderam as últimas homenagens.

Lula e Dilma

A presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram na noite passada de uma missa em homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar, cujo corpo foi velado no Palácio do Planalto. Nesta manhã, acompanharam o corpo do amigo para a capital mineira. Vice de Lula de 2003 a 2010, Alencar morreu na terça-feira em São Paulo, aos 79 anos, de falência múltipla dos órgãos após 14 anos de luta contra o câncer.

Lula, que declarara ter uma relação de “irmão” com Alencar, estava bastante emocionado e chorou por diversas vezes durante a cerimônia. Ao chegar próximo ao corpo do ex-vice, observou-o por alguns instantes, beijou-lhe a testa e chorou, amparado pela ex-primeira-dama Marisa Letícia. Dilma também estava abatida, mas foi mais discreta. A presidente estava em Portugal acompanhando Lula para uma homenagem. Ambos anteciparam o retorno ao Brasil para participar do velório de Alencar e chegaram à cerimônia por volta de 21h25.

Cerca de 8 mil pessoas prestaram homenagem ao ex-vice no Palácio do Planalto, segundo a Presidência da República. Já pela manhã, antes da abertura do velório ao público, uma longa fila havia se formado em frente à Praça dos Três Poderes. A expectativa era de que a cerimônia da noite fosse reservada a familiares e autoridades, mas o acesso ao público continuou liberado durante a missa.

Ministros de Estado, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre outras autoridades e familiares, também estiveram presentes nas duas missas, realizadas pela manhã e à noite. Pela manhã, o corpo foi recebido no Planalto com honras de chefe de Estado por Michel Temer, que estava no exercício da Presidência, e pela viúva Mariza Gomes da Silva, que acompanhou o velório durante a tarde, até a chegada de Dilma e Lula.

Temer, que acompanhou a chegada do corpo do ex-vice na base aérea de Brasília, declarou que o Brasil “perdeu um grande brasileiro” e que Alencar lhe serve como exemplo.

– Se (eu) conseguir, ainda que minimamente, reproduzir alguns gestos cívicos de Alencar, me darei por satisfeito – afirmou.

Na manhã des quinta-feira, o corpo de Alencar foi velado em Belo Horizonte, em evento que também será aberto ao público. À tarde, foi cremado. A expectativa é de que Dilma e Lula estejam na capital mineira para a cerimônia. Alencar lutou por mais de 14 anos contra o câncer na região abdominal, doença que o levou a ser submetido a 17 cirurgias e várias sessões de quimioterapia. Mineiro e fundador da empresa têxtil Coteminas, deixa três filhos.

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