UE não pode permanecer inativa ante a situação no Iraque

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Publicado sábado, 10 de abril de 2004 as 09:48, por: cdb

 O ministro de Assuntos Exteriores belga, Louis Michel, considera que, “no plano político”, a União Européia não pode ficar à margem da situação atravessada pelo Iraque e deve fazer mais para conseguir a estabilidade nesse país.

Em uma entrevista publicada hoje pelo jornal de Bruxelas Le Soir, o chefe da diplomacia belga assegura que “é urgente” que o Conselho de ministros da UE “tenha uma verdadeira discussão sobre o Iraque”.

“Não falo de uma presença militar européia no Iraque, e sim que a União tem uma diplomacia que pode ser útil na reconstrução do Iraque”, acrescenta Michel.

Neste sentido, insta uma maior colaboração com os Estados Unidos para que “o valor acrescentado diplomático” com que conta a UE se ponha em andamento “para ajudar a estabilizar a situação”.

O ministro belga assinala que já começou a manter alguns contatos bilaterais neste sentido com seus colegas europeus e pergunta se “vamos ficar muito tempo como até agora, de espectadores”.

Na sua opinião, é necessário, pelo menos, tentar alcançar “uma análise conjunta para iniciar alguns passos diplomáticos em comum”.

Louis Michel insiste que a guerra já acabou, “os elementos que dividiam os europeus já não existem” e “a questão agora é ganhar a paz” porque após desbancar Saddam Hussein “não podemos permitir que a situação se torne incontrolável”.

“O que acontece no Iraque afeta diretamente a Europa, a estabilidade, a segurança, a maneira na qual lutamos contra o terrorismo”, o que faz com que “a União não possa desinteressar-se”.

A respeito do papel da ONU, assinala que sua atuação e a da União devem estar em paralelo, mas acrescenta que a UE deve ter um debate profundo sobre esta questão.