Ucranianos se manifestam pedindo renúncia de Kuchma

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 9 de março de 2003 as 18:13, por: cdb

Milhares de ucranianos saíram neste domingo, às ruas de Kiev para exigir a renúncia do presidente Leonid Kuchma, no primeiro protesto organizado pela oposição neste ano.

Segundo os dirigentes oposicionistas, participaram da manifestação da capital até 50.000 pessoas. O protesto fez parte da campanha “Levanta-te, Ucrânia”, dentro da qual são realizados eventos em diversas cidades do país.

Fontes policiais calcularam em entre 10.000 e 15.000 os participantes da manifestação de Kiev, na qual ocorreram alguns “atos de incivilidade de pouca relevância”.

Os atos aos quais os policiais se referiram são as frases pedindo “Liberdade para os presos políticos” que os manifestantes pintaram nos muros da prisão preventiva de Lukianovsk, onde estão vários ativistas do movimento nacionalista UNA-UNSO detidos em março de 2001 por promover atos de desordem numa manifestação contra Kuchma.

“Fora Kuchma” foi o principal grito dos manifestantes, que atenderam neste domingo à convocação dos quatro principais partidos de oposição: o Socialista, o Comunista, o Bloco de Yulia Timoshenko e o movimento Nossa Ucrânia, liderado pelo ex-primeiro-ministro Victor Yúschenko.

“Entramos num momento crítico para a Ucrânia”, disse a ex- vice-primeira-ministra Timoshenko, que instou a oposição a apresentar uma candidatura única nas próximas eleições presidenciais, marcadas para 2004.

O líder do Nossa Ucrânia advertiu que a falta de união da oposição pode levar a uma derrota nas eleições, que os oposicionistas tentam antecipar para afastar Kuchma do poder.

Yúshenko lembrou que nas eleições parlamentares de 1994 a esquerda votou no Governo e, quatro anos depois, a direita, temendo uma revanche comunista, apoiou as mesmas autoridades.

“Estamos convencidos de que as autoridades da Ucrânia são corruptas, que mergulharam o país na pobreza e na miséria, e mesmo assim as apoiamos (no passado), e não porque elas sejam fortes, mas porque estávamos divididos”, disse o dirigente da oposição.

No entanto, os pedidos de união da oposição dificilmente poderão proporcionar uma aproximação entre, por um lado, o Bloco de Yulia Timoshenko e o Nossa Ucrânia (liberais), e, pelo outro, os partidos Socialista e Comunista.

Os manifestantes aprovaram uma resolução na qual exigiram eleições presidenciais antecipadas e uma reforma urgente de todo o sistema de governo.

Kuchma, cujo mandato termina em novembro de 2004, enfrenta há dois anos uma onda intermitente de protestos pedindo sua renúncia.

Mas nem o escândalo mais famoso de sua administração, o desaparecimento e o posterior assassinato, em 2000, do jornalista de oposição Georgui Gongadze, crime do qual a oposição o acusou diretamente, fez com que ele perdesse o poder.