Turca vence Miss Mundo

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Publicado sábado, 7 de dezembro de 2002 as 23:59, por: cdb

A representante da Turquia Azra Akin foi eleita a vencedora do concurso Miss Mundo no sábado em uma disputa transferida às pressas da Nigéria para o Reino Unido depois que polêmicas sobre o concurso deram origem a conflitos sangrentos entre muçulmanos e cristãos no país africano.

Akin, modelo de 21 anos, recebeu a coroa e 100 mil libras esterlinas (157 mil dólares). Em segundo lugar, foi escolhida a Miss Colômbia, Natalia Peralta, e, em terceiro, a miss Peru, Marina Mora Montero.

“Espero representar bem as mulheres do mundo. Estou honrada e contente por ter vencido”, disse à Reuters, após conhecer o resultado.

Ela disse ter ficado chocada com o que ocorreu na Nigéria. “Espero que as pessoas no mundo respeitem mais umas às outras”, disse.

A final do concurso ocorreu no Alexandra Palace, em Londres, apesar das pressões para que fosse cancelada por causa dos conflitos religiosos ocorridos no mês passado na Nigéria, que mataram mais de 200 pessoas. Uma prestigiada feminista britânica chegou a afirmar que as misses iriam desfilar vestidas com “trajes de banho pingando sangue”.

“Todos lamentamos as mortes na Nigéria, mas o concurso de Miss Mundo não foi culpado por elas”, afirmou à Reuters a organizadora da disputa, Julia Morley. “Não há motivo para que essas jovens não aproveitem seu grande momento.”

Apesar de realizada em um dia úmido de outono na Inglaterra, a final teve um sabor africano, com imagens e entrevistas realizadas na Nigéria, onde as 88 concorrentes ficaram hospedadas antes dos conflitos.

“Nossos pensamentos estão com as famílias que sofreram. Esperamos que a Nigéria se recupere rapidamente e seja finalmente reconhecida pela beleza que possui”, disse o apresentador norte-americano Sean Kanan, na única referência aos conflitos feita durante a festa.

A oposição muçulmana ao concurso, que deveria originalmente ocorrer na Nigéria no mesmo dia em que acabou sendo realizado em Londres, entrou em ebulição depois que uma jornalista local escreveu que o profeta islâmico Maomé teria aprovado a realização da disputa e, provavelmente, desposado uma das concorrentes.

Os conflitos ocorreram na cidade de Kaduna, no norte do país, forçando os organizadores a mudar a realização da final da capital nigeriana, Abuja, para Londres.

As misses desfilaram ao som de ritmos latinos. Depois da apresentação, foram exibidas imagens feitas na Nigéria, com as garotas vestindo biquínis em frente a uma cachoeira e, depois, visitando vilas locais.

Apesar de considerado ultrapassado e sexista pelos críticos, o concurso ainda é imensamente popular em todo o mundo. Os ingressos para ver a final ao vivo foram totalmente vendidos, e milhões de pessoas assistiram a disputa pela TV em 142 países.