Tuberculose: casos no Brasil caem 3,5% mas doença ainda é 4ª causa de óbitos entre infecciosas

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Publicado terça-feira, 27 de março de 2012 as 07:59, por: cdb
tuberculose pode se manifestar de diversas formas;muitas vezes é possível detectar a doença mesmo não existindo nenhum tipo de dores pelo corpo, ou apenas por uma bateria de exames rotineiros nos pulmões

Dados divulgados na segunda-feira pelo Ministério da Saúde indicam que os casos de tuberculose registrados no país em 2011 caíram 3,54% em relação ao ano anterior – foram notificados, ao todo, 69.245 casos contra 71.790 em 2010.

Já a taxa de incidência da doença no Brasil, de acordo com a pasta, caiu 15,9% na última década. Em 2001, foram registrados 42,8 casos de tuberculose para cada 100 mil habitantes contra 36 casos no ano passado.

Em relação aos óbitos provocados pela doença, houve queda de 23,4% no período de dez anos, segundo o ministério. Em 2001, o país registrou 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes contra 2,4 mortes em 2010.

Apesar dos avanços, a tuberculose no Brasil representa a quarta causa de óbitos por doenças infecciosas e a primeira entre pacientes com aids. A recomendação do ministério é que todos os pacientes diagnosticados façam o teste anti-HIV. Entretanto, em 2010, apenas 60% dessas pessoas foram testadas.

De acordo com a pasta, em 2011, foram investidos US$ 74 milhões no enfrentamento à doença, contra US$ 5,2 milhões em 2002.

Tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro, é o principal sintoma da tuberculose. Ao apresentar esse quadro, qualquer pessoa deve procurar uma unidade de saúde. Caso o diagnóstico seja confirmado, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, para que a cadeia de transmissão seja interrompida.

O tratamento deve ser feito durante seis meses, sem interrupção, e é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sudeste registrou maior queda

O Sudeste é a região brasileira que registrou a maior redução da taxa de incidência de tuberculose no ano passado, passando de 40,6 casos para cada 100 mil habitantes em 2010 para 37,6 casos em 2011.

O Estado do Rio de Janeiro apresentou uma redução de 18,9% no período de um ano, com a taxa de incidência de tuberculose passando de 70,3 casos para cada grupo de 100 mil pessoas em 2010 para 57,6 no ano passado.

Na Região Nordeste, a taxa de incidência passou de 36,9 casos para cada 100 mil habitantes em 2010 para 35,9 em 2011. No Norte, a taxa ficou a mesma (45,2 casos) enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste registraram pequenas reduções – 0,2% e 0,6%, respectivamente.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que os casos de tuberculose registrados no país em 2011 caíram 3,54% em relação ao ano anterior – foram notificados, ao todo, 69.245 casos contra 71.790 em 2010.

– Pela primeira vez, fechamos o ano com menos de 70 mil casos. É uma marca para ser comemorada, reconhecida, porque o caminho está correto. Os dados reforçam a importância [da atuação] do Poder Público e da parceria com os movimentos sociais e organizações não governamentais – disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Sistema imunológico deficiente é mais suscetíveis à tuberculose

Pessoas que vivem em condições desfavoráveis de moradia e alimentação e pessoas com o sistema imunológico deficiente que têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde são as principais vítimas da tuberculose no Brasil.

De acordo com a pasta, os seguintes grupos foram definidos como prioritários no enfrentamento à tuberculose: moradores de rua, populações carcerárias, indígenas e pessoas que vivem com HIV/aids.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, ressaltou que a incidência da tuberculose entre indígenas é quatro vezes maior que no restante da população. Já entre a população privada de liberdade, a incidência chega a ser 27 vezes maior. Pessoas com HIV/aids têm 30 vezes mais chance de contrair a tuberculose, enquanto o risco, entre moradores de rua, é 67 vezes maior em razão do alcoolismo e do uso de drogas.

Em 2010, entre os novos casos de tuberculose notificados em todo o país, cerca de 10% eram de pessoas soropositivas. A Região Sul, segundo o ministério, foi a que apresentou o maior percentual de pessoas diagnosticadas com tuberculose e HIV (18,6%) – índice quase duas vezes superior à média nacional.