Tropas são mobilizadas para conter avanço de sem-terra sobre fazenda de FHC

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Publicado quarta-feira, 3 de outubro de 2001 as 11:42, por: cdb

Cerca de 200 sem-terra ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) marcham desde às 15h de terça-feira, do centro de Buritis, no noroeste de Minas Gerais, com destino à fazenda Córrego da Ponte, de propriedade de filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, distante cerca de 60 km do centro do município. O Exército foi mobilizado para proteger aquela propriedade.

Com estoque de alimentos para uma semana e com dois caminhões transportando lonas, fogões e outras bagagens, os sem-terra chegam nesta quarta-feira à fazenda e disseram ainda não ter decidido se vão somente acampar nas imediações da propriedade ou se vão tentar invadi-la.

A nova movimentação de sem-terra nas imediações da propriedade da família Cardoso faz parte de uma série de manifestações e invasões a agências bancárias que o MST promove em Buritis desde a semana passada.

O objetivo do movimento é pressionar o governo federal a atender reivindicações como liberação de crédito, renegociação de dívidas e aceleração de assentamentos.

Segundo um dos líderes do movimento, Cledson Mendes, 29, a marcha só pára se o governo federal enviar até Buritis representantes para negociar.

A ameaça de nova tentativa de invasão da Córrego da Ponte fez com que o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) antecipasse para ontem as respostas escritas que se comprometeu a enviar até o final da semana à liderança dos sem-terra.

O fax com as respostas chegou a Buritis momentos antes do início da marcha, mas não alterou o cronograma elaborado anteriormente. O superintendente do Incra para o Distrito Federal e região (o que inclui Buritis), Manuel Furtado Neves, voltou a afirmar que o órgão não pretende enviar nenhum representante até a marcha.