Tropas dos EUA preparam ataque contra clérigo rebelde no Iraque

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Publicado terça-feira, 13 de abril de 2004 as 21:35, por: cdb

Tropas norte-americanas se concentraram na terça-feira junto a Najaf, cidade sagrada para os xiitas do Iraque, preparando-se para um possível ataque contra o clérigo rebelde Moqtada Al Sadr e sua milícia.

Essa operação, no entanto, pode enfurecer os iraquianos, que alertaram os soldados para não profanar os lugares santos.

Grupos armados que se opõem à ocupação libertaram alguns reféns estrangeiros –cinco ucranianos e três russos– mas fizeram exigências para soltar outros. Homens armados apresentaram quatro italianos e exigiram que Roma retire suas tropas do Iraque. Um jornalista francês também se juntou à lista dos seqüestrados.

O perigo nas estradas do país é tamanho que o Exército dos Estados Unidos anunciou a suspensão de comboios de suprimentos até a situação se acalmar.

Na terça-feira, o Pentágono acrescentou mais sete soldados à lista dos mortos em ação desde o começo da guerra –agora são 484. Só nos últimos oito dias, pelo menos 65 militares morreram, vítimas dos confrontos mais sangrentos desde a queda de Saddam Hussein.

O general-de-brigada Mark Kimmitt, subchefe de operações militares dos EUA no Iraque, disse que uma poderosa força está se concentrando nos arredores de Najaf, ao sul de Bagdá, onde Sadr estaria refugiado, perto da principal mesquita local.

A revolta da milícia xiita de Sadr, iniciada neste mês, fez com que os EUA abrissem uma nova frente de combates, nas áreas xiitas da capital e ao sul de Bagdá. Os norte-americanos já enfrentam a rebelião dos árabes sunitas em cidades como Falluja, a oeste da capital, onde vários estrangeiros foram seqüestrados.

Os militares dos EUA dizem que vão capturar ou matar Sadr, que por sua vez se diz disposto a morrer para que os norte-americanos deixem seu país.

“Atualmente vemos uma ameaça significativa nos arredores de Najaf, por parte de Moqtada Al Sadr e sua milícia. Vamos caçá-los para acabar com esta violência –é simples assim”, disse Kimmitt.

Em Najaf, um porta-voz do clérigo disse que a invasão das tropas norte-americanas na cidade vai desencadear uma grande onda de violência em todo o país.

“Se eles tocarem em Moqtada Al Sadr haverá uma crise”, disse Qays Al Khazali em entrevista à imprensa. “No momento eles estão enfrentando uma rebelião, mas se fizerem mal a Sadr uma grande revolução acontecerá em todo o Iraque. Seremos uma bomba-relógio.”

Mas uma delegação de clérigos xiitas que se reuniu com Sadr disse que ele demonstrou estar disposto a desarticular sua milícia se as autoridades religiosas o instruírem nesse sentido.

CRISE DOS REFÉNS

A última semana de seqüestros conferiu uma nova dimensão ao conflito iraquiano, atingindo civis de mais de dez países, alguns dos quais –como Rússia, China e França– se opuseram à guerra.

Imagens de TV mostraram quatro homens, descritos como reféns italianos, sentados no chão, cercados por militantes armados. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi disse que a Itália fará de tudo para libertar o grupo, mas que sua missão no Iraque “é absolutamente inquestionável”.

A agência francesa Capa, que produz imagens para TVs, disse que um de seus repórteres foi seqüestrado no domingo ao sul de Bagdá.

A França pediu a seus cidadãos que abandonem o Iraque ou desistam de viagens para lá. A maior empresa russa que atua no país disse que está retirando todos os seus 370 funcionários, e Moscou afirmou que pode ajudar os cerca de 500 russos no Iraque a deixarem o país.

Sete chineses seqüestrados em incidentes separados perto de Falluja foram soltos na segunda-feira, e três jornalistas checos continuam desaparecidos.

O destino dos três reféns japoneses continua incerto, depois que na semana passada seus sequestradores ameaçaram queimá-los vivos se o Japão não retirar suas tropas.

Entre os norte-americanos, há pelo menos sete civis e dois sol