Três pessoas envolvidas em tráfico de drogas morrem em Minas Gerais

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 01:42, por: cdb

Uma queima de arquivo do tráfico de drogas. Essa é a hipótese mais provável para a execução, descoberta no início da tarde da última quinta-feira, de um homem e duas mulheres em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
 
Os corpos, sem documentos e com idade avaliada pelos peritos da Polícia Civil entre 16 e 20 anos, foram encontrados em uma clareira da Mata da Gangorra, no Bairro Nacional, 1ª Seção. Os três jovens foram executados com tiros na cabeça. Levados para o Instituto Médico-Legal (IML), os corpos não haviam sido identificados até o início da noite de ontem.

O caso está sendo investigado por detetives da Delegacia de Homicídios de Contagem. Quinta, na cena do crime, apesar da presença de dezenas de curiosos, ninguém deu pistas sobre os autores do crime.
 
Testemunhas revelaram os supostos prenomes das três vítimas: Robson, Fabiana e Débora. O triplo homicídio será apurado em inquérito instaurado no final da tarde de ontem pelo delegado João da Silva Lisboa.

Conforme o apurado até o momento pela polícia, a região onde os corpos foram encontrados é freqüentada por usuários de drogas e casais de namorados. Na avaliação dos detetives, as três vítimas teriam sido obrigadas a seguir até uma clareira existente na Mata do Gangorra, onde foram executados.

Os peritos constataram que os tiros foram disparados à queima-roupa. O homem, de cor morena, possui cinco ferimentos na cabeça, enquanto as duas mulheres, uma delas com os cabelos pintados de louro, tinham dois ferimentos na nuca e na cabeça. As mulheres estavam vestidas, sem nenhum vestígio de que tenham sido violentadas.

Revoltados com o que classificaram de ‘linguiça de má qualidade’, supostos traficantes de drogas do Aglomerado do Morro do Papagaio, no Bairro São Pedro, Zona Sul de Belo Horizonte, teriam incendiado, na madrugada de ontem, um açougue que funciona nas imediações da favela.
 
O proprietário do estabelecimento, o comerciante H.A.C., denuncia que é obrigado a pagar diariamente, com carne, proteção aos criminosos para se ver livre de assaltos.

Mas, segundo H.A.C., o pagamento pela proteção, até antes do ataque, valia a pena. O comerciante alega ser um dos poucos da região que ainda não foi assaltado, uma rotina entre outros açougues, mercearias, farmácias e padarias.
 
Segundo o apurado pela polícia, os bandidos jogaram gasolina dentro do estabelecimento através das aberturas em uma porta de aço. O fogo destruiu toda a documentação da empresa, uma máquina registradora, parte de um balcão frigorífico e grande quantidade das mercadorias.
De acordo com H.A.C., os criminosos são minoria entre sua clientela, segundo ele formada por pessoas honestas que residem na favela.
 
– Mas, infelizmente, a região está dominada pelos bandidos – lamenta.
 
O fogo que tomou conta do estabelecimento e quase atingiu o andar superior do prédio foi extinto rapidamente por soldados do Corpo de Bombeiros. Na manhã de ontem, o comerciante encontrou, entre os destroços, o vasilhame utilizado pelos criminosos para transportar a gasolina.

A polícia já começou a investigar o atentado. Testemunhas já teriam revelado aos detetives os apelidos dos homens responsáveis pelo crime.
 
O comerciante conta que recebeu uma visita, na tarde da última quarta-feira, de um homem supostamente ligado ao tráfico de drogas na região. Este lhe entregou um quilo de lingüiça e disse, ameaçadoramente, que ‘os homens do tráfico não tinham gostado da qualidade da carne’. Por causa disso, segundo o homem, ‘o açougue iria receber uma visita durante a noite’.

O comerciante alega não ter acreditado que a ameaça se concretizaria. Mas, na madrugada de quinta, foi acordado em casa por moradores da favela que o avisaram sobre o incêndio. Ele calcula o prejuízo em R$ 20 mil.
 
Segundo a capitã Célia, da 124ª Companhia da Polícia Militar, responsável pelo poli