Trem-bala, agora, em duas fases

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Publicado terça-feira, 12 de julho de 2011 as 13:12, por: cdb

Nenhuma empresa fez proposta, ontem, no leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV) promovido pelo governo. Mas, para os especialistas do setor, vários sinais já haviam sido dados pelas empresas de que o resultado seria esse. Com a ausência de ofertas, o governo optou por adotar outra estratégia: irá fatiar a licitação em duas etapas, de forma a garantir que as obras possam começar em 2013.

Uma primeira licitação será para a contratação do fornecimento de tecnologia e para a sua operação. A segunda prevê as obras propriamente ditas. Nesse caso, as empreiteiras não serão parceiras do governo, mas apenas contratadas.

José Augusto Valente, especialista em Logística e Transporte, aponta que fornecedores e empreiteiras esperam que a União aloque mais recursos e invista, inclusive, na construção das vias do trem bala. Recomendo a leitura do seu artigo a respeito – O futuro do Trem Bala, na coluna de Nossos Convidados, neste blog. Ele explica, de forma sucinta e clara, o que está por trás de tantos interesses envolvidos na construção e operação do TAV.

Mercado fechado

Ontem, Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), foi taxativo. Para ele, o leilão não aconteceu porque os grupos estrangeiros não conseguiram firmar alianças com as empresas nacionais.  Dos seis grupos de tecnologia interessados, nenhum conseguiu uma boa interlocução com companhias de construção civil. O quadro, na visão de Figueiredo, configura um “fechamento do mercado a essas alianças”.

Em resumo, por este novo modelo de licitações em duas etapas, a empresa vencedora da licitação para a tecnologia a ser usada pelo trem-bala determinará a infraestrutura necessária ao projeto. Só numa segunda etapa será escolhida a empresa responsável pela construção do projeto. Segundo Figueiredo, com este processo, os preços tenderão a cair, “porque teremos ter disputa acirrada nas duas fases da licitação”.

Valente, no entanto, chama a atenção para uma questão de fundo que permeia o novo modelo. No caso atual, em que o governo construirá a infraestrutura e a iniciativa privada a operará, “será o contribuinte, e não o usuário, quem financiará a implantação do projeto”. Confira aqui a íntegra de seu artigo.