Tráfico de Mulheres

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Publicado terça-feira, 27 de maio de 2003 as 08:23, por: cdb

A imprensa informou a prisão de um casal que estava pronto para embarcar para o exterior com cinco jovens, entre 19 e 21 anos. Iludidas com promessas de emprego e bons salários, milhares de brasileiras têm sido vítimas de redes internacionais de prostituição que, invariavelmente, conduzem à maus tratos e cárcere privado, chegando até ao assassinato dessas pessoas.
Há muito tempo que policiais internacionais, organizações de defesa dos direitos humanos, feministas e governos se debruçam sobre esses acontecimentos e, hoje, se sabe que as mulheres são enviadas principalmente para Espanha, Portugal, Itália e França.
Também não é novidade o fato do nosso modelo econômico apontar, para os jovens, a porta de saída do país como alternativa de renda, carreira e ascensão social. Para alguns, esse processo está associado aos estudos e aos meios legais de sobrevivência. Para outros, não. Ora na clandestinidade, ora realizando trabalhos que ninguém quer realizar, a verdade é que os ambientes internacionais nem sempre conduzem a uma realidade melhor do que a vivida por aqui.
No caso das meninas, existem alguns agravantes. Muitas delas, submetidas em casa a algum tipo de violência sexual, acabam percorrendo caminhos ainda mais perversos. Em que pese os deslumbramentos e o fascínio que a possibilidade do enriquecimento fácil causa em pessoas frágeis e imaturas, a maioria encontra na falta de perspectivas – e de valores – o impulso para se lançar em aventuras desse tipo.
É necessário que se dê grande divulgação a esses dramas para que as famílias e as jovens saibam como se defender dessa escravidão, e a sociedade se mobilize no combate ao tráfico internacional de mulheres. Ao mesmo tempo, precisamos encontrar outras “saídas” para a nossa juventude, que não estejam associadas às fronteiras nacionais, legais, morais e humanas.
Um abraço, saúde e sorte.