Traficantes matam jovem em Salvador

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Publicado quinta-feira, 2 de outubro de 2003 as 02:29, por: cdb

Com a prisão nas próximas horas de um taxista que faz ponto de parada na região Piedade/Barris, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, a polícia espera elucidar a autoria do assassinato do jovem Gabriel Serpa Sanches, 23 anos, que residia no centro da cidade, cujo corpo foi encontrado, na manhã do dia 20 do último mês, no local conhecido como quilômetro 17, na Rua Luís Eduardo Magalhães, um acesso entre o bairro de Itapuã e a Rótula do Aeroporto.

Como a vítima foi vista pela última vez no Pelourinho e não há informações concretas quanto ao local em que o homicídio fora consumado, o inquérito está sendo conduzido preliminarmente pela 1ª Delegacia (Complexo Policial dos Barris), área em que ocorreu o desaparecimento.

Familiares da vítima e testemunhas já ouvidos pela polícia apontam como principal suspeito do homicídio o vendedor autônomo Paulo André Calmon Nogueira Musto, 46, a quem Gabriel devia R$200, débito relacionado com o tráfico de drogas. Gabriel era usuário de cocaína e Paulo André seria seu fornecedor, segundo informações.

Acompanhado do advogado Abdon Abade, profissional de reconhecida atuação em casos envolvendo o direito criminal, o acusado se apresentou à 1ª DP, no início desta semana.
 
Paulo André nega a autoria e acusa um traficante, cuja identidade omite, pela execução do rapaz. Também apontado por uma testemunha como autor dos disparos que mataram a vítima, o suposto traficante é descrito como um homem negro, aparentando 25 anos e com 1,72m de altura, cujo retrato falado foi distribuído na última quarta-feira pela polícia.

Tráfico de entorpecentes, orgias sexuais e até um possível ato de corrupção policial são alguns dos elementos que podem estar sustentando o mistério em torno da morte de Gabriel, jovem de classe média cooptado pelas drogas ainda na adolescência.
 
A contagem regressiva para ele começou na tarde da última sexta-feira, 19 de setembro, quando retornava de viagem, após passar alguns dias surfando em Itacaré, no litoral sul do estado.

Bronzeado e sorridente, deixou a sacola com roupas usadas em casa e saiu rumo ao Pelourinho. Vestia bermuda azul com listras amarelas e camisa preta. Como o irmão Davi, 22, não pôde acompanhá-lo, alegando um compromisso, Gabriel chamou o vizinho B., um adolescente de 16 anos e também usuário de drogas.

B. e Gabriel seguiram para a Rocinha, território rastafari encravado no Pelourinho e tido como paraíso dos amantes do reggae. Passava das 20h quando chegaram ao local. Segundo o aposentado Moacir Sanches, 49, pai de Gabriel, o jovem levava consigo R$600, contribuição do padrinho para a compra de uma motocicleta.

De acordo com relato de B., Paulo André chegou à Rocinha por volta das 21h30. Sentou-se à mesa e juntos bebericaram algumas cervejas.
 
Em dado momento, Paulo André convidou Gabriel para sair. Talvez por pressentir uma emboscada, talvez por imaginar que retornaria logo, Gabriel tirou o boné que usava e o colocou na cabeça de B. Tirou do bolso o maço de cigarros e o entregou ao adolescente. Despediu-se com um ‘volto já’. Não voltaria a ser visto com vida.

Crivado de balas, seu corpo foi encontrado no chamado Km-17, conhecida ‘área de desova’, situada em Itapuã. Sem documentos, o cadáver foi removido para o Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues como indigente, condição em que permaneceria até o reconhecimento, três dias depois.