Traficante que mandou incendiar ônibus é julgado no Rio

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Publicado segunda-feira, 6 de novembro de 2006 as 20:44, por: cdb

O julgamento do traficante Anderson Gonçalves dos Santos, o Lorde, teve seu julgamento iniciado nesta segunda-feira quando a promotoria apresentou as supostas provas de que ele mandou queimar o ônibus 350 (Passeio-Irajá) em represália à morte do seu cúmplice, conhecido como Ciborgue. O julgamento começou com mais de três horas de atraso. O crime aconteceu em novembro de 2005, em Brás de Pina, subúrbio do Rio. Cinco pessoas morreram, entre elas um bebê, e 16 ficaram feridas. O julgamento está previsto para terminar por volta das 22h.

Para o promotor Riscalla João Abdenur, não há dúvidas de que o traficante Lorde, chefe do tráfico da Vila Periqui, organizou a manifestação de moradores que acabou com o incêndio no ônibus da Viação Rubanil. Além do traficante, o Ministério Público denunciou outras cinco pessoas.

– Não tenho dúvidas de que todas participaram do crime. O Lorde é o líder, tinha motivo para mandar atear fogo. Mataram o capanga, o soldado dele -, afirmou Riscalla.

Anderson seria julgado junto com Sheila Messias Nogueira, acusada de ter feito sinal para o coletivo parar, mas o julgamento foi desmembrado, porque o Ministério Público e o defensor público de Sheila discordaram sobre a aceitação de um dos jurados. Ela vai ser levada a tribunal no dia 4 de dezembro.

O atraso ocorreu por causa da demora na chegada da ré Sheila e da testemunha Vera Lúcia Pimenta. Com o desmembramento, Sheila foi levada de volta à 72ª DP (São Gonçalo) e Vera Lúcia voltou para a Polinter, onde está presa desde o dia 1º de novembro, quando apresentou falso testemunho no julgamento do presidente da Associação de Moradores de Vila Pequeri, Alberto Maia da Silva.

O traficante não quis responder ao interrogatório, nem mesmo às perguntas iniciais sobre seus dados pessoais e sociais, utilizando seu direito de permanecer calado. Tanto o Ministério Público quanto a defesa de Lorde dispensaram os depoimentos das 10 testemunhas que foram convocadas. Da leitura do relatório e exibição de fitas com reportagens da época do crime, o julgamento passou direto para os debates entre a promotoria e a defesa.

O Ministério Público vai pedir a condenação dos acusados por 16 tentativas de homicidio e por cinco homicidios triplamente qualificados: pelo crime ter sido cometido por motivo banal, sem dar chance de defesa às vítimas e por motivo torpe (ter incendiado o ônibus).