Tradicional torneio de Wimbledon pode sofrer boicote em 2004

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 22 de junho de 2003 as 19:12, por: cdb

A não ser que Wimbledon decida aumentar a premiação, os maiores jogadores do mundo podem boicotar o torneio em 2004. A possibilidade surgiu depois de uma reunião envolvendo cerca de 120 jogadores no All England Lawn Tennis Club.

Os jogadores argumentam que deveriam receber uma porcentagem maior dos lucros de torneios do Grand Slam e afirmam que podem participar de torneios alternativos da ATP caso não haja um acordo entre eles e os organizadores dos Slams.

– Se os jogadores acabarem numa posição, esperamos que não seja o caso, onde o valor econômico dos Grand Slams não seja compartilhado de maneira justa, a alternativa deles seria jogar em outro lugar – declarou Mark Miles, diretor da ATP, após a reunião de sábado.

No momento o tênis feminino não acompanha a ATP em sua reivindicação. A WTA está mais preocupada com a igualdade de premiação em Wimbledon e no Aberto da França.

Situação delicada

A situação está ficando delicada. Os quatro torneios do Grand Slam – Wimbledon e os Abertos da Austrália, França e Estados Unidos – acreditam que os jogadores são muito bem pagos e já recusaram um pedido de premiações maiores no Aberto da França este ano.

O caso precisa ser resolvido para que se evite o primeiro boicote desde 1973, quando 81 jogadores se retiraram depois da suspensão do iugoslavo Nikki Pilic, que deixou de disputar uma partida da Copa Davis.

Miles tentou acalmar a situação no domingo, esclarecendo que a palavra “boicote” não havia sido mencionada na reunião, muito embora isso pareça ser apenas uma questão semântica.

A opção discutida seria organizar um torneio beneficente no mesmo período, que incluiria 128 jogadores, mesmo número de um Grand Slam.

Caminho razoável

– Isso não significa que haja um plano específico para fazer algo diferente. A prioridade dos jogadores é negociar e chegar a um caminho razoável para se resolver as coisas – afirmou Miles.

– Mas se chegarmos ao ponto em que os jogadores se convencerem de que os Grand Slams simplesmente não estão dispostos a lidar, do nosso ponto de vista, razoavelmente com as nossas preocupações, estaremos preparados para fazer outros planos – completou.

Os quatro Grand Slams correm risco de boicote, mas o Aberto da França e Wimbledon são os que têm maior possibilidade.

Esta semana o Aberto dos Estados Unidos anunciou um aumento na premiação. Pela primeira vez na história os dois campeões de simples – no masculino e no feminino – receberão a quantia de $1 milhão.

Em Wimbledon, o campeão levará 575.000 libras ($960.500) no masculino e 535.000 libras ($893.700) no feminino.

– Muitos jogadores vêem isso como um passo preliminar construtivo, que confirma a importância do diálogo constante com a USTA sobre assuntos financeiros e outras iniciativas para o crescimento do esporte – comemorou o diretor da ATP.

Miles revelou também que Tim Phillips, presidente do All England Club, esteve presente na reunião de sábado e expressou seu interesse em continuar a debater com os jogadores.

Mais reuniões entre a ATP e os organizadores dos Grand Slams estão marcadas para o período de duração do campeonato.