Trabalhadores são inocentados no Maranhão

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Publicado terça-feira, 7 de outubro de 2003 as 16:33, por: cdb

Os trabalhadores rurais Francisco da Conceição (Chico Buraco), Gilvando da Conceição de Oliveira, Sebastião Rodrigues Sousa e Francisco da Conceição da Silva, acusados da morte de Antônio Monteiro, foram absolvidos por seis votos a um, na madrugada desta quinta-feira, 2 de outubro. O julgamento, através do júri popular, realizado na Câmara Municipal de Lago do Junco, durou 17 horas e mobilizou centenas de famílias da região que, desde a quarta-feira, se colocaram em vigília na porta do prédio, acompanhando passo a passo da sessão. A morte de Antônio Monteiro foi o desfecho do conflito agrário vivenciado durante 15 anos no povoado do Centro de Aguiar, envolvendo famílias de trabalhadores rurais e os proprietários da fazenda Nova Olinda, no Maranhão. A demora na conclusão do conflito ocasionou vários momentos de tensão.

Os quatro trabalhadores rurais, todos moradores do povoado Centro do Aguiar -município de Lago do Junco – estavam sendo acusados da morte, em 28 de dezembro de 2002, de Antônio Monteiro, que, na época, trabalhava na fazenda Nova Olinda. O tribunal de júri popular foi iniciado terça-feira, 30, mas foi anulado, após o deferimento do pedido do promotor público John Derrick Barbosa Braúna, tendo em vista a inobservância, por parte da juíza Suzi Pontes de Almeida, de procedimentos nos trabalhos iniciais da sessão.

A anulação foi solicitada após o depoimento de uma das principais testemunhas de acusação, o vaqueiro William que trabalhou na fazenda Nova Olinda por 22 anos. Quando argüido, tanto pela promotoria pública quanto pelos advogados de defesa, o deputado estadual Domingos Dutra e o advogado Luiz Antônio Pedrosa, a testemunha entrou em contradições em várias de suas afirmações, negando, inclusive, sua acusação inicial de que o crime teria sido praticado por Chico Buraco.

Na quarta-feira, depois de ouvir todas as testemunhas, o promotor John Derrick Barbosa Braúna chegou a pedir a absolvição dos trabalhadores Gilvando da Conceição de Oliveira e Sebastião Rodrigues Sousa e a condenação de Francisco da Conceição (Chico Buraco) e de Francisco da Conceição Silva (Ferrinho), mas os advogados de defesa, Domingos Dutra e Antônio Pedrosa, argumentaram que todo o processo se mostrava inconsistente em suas acusações, apresentando diversas falhas no laudo médico.

A promotoria estava baseada apenas nos depoimentos do filho da vítima e do vaqueiro da fazenda, Senhor William, coletado logo após o crime. O filho da vítima não compareceu ao tribunal do júri e o senhor William negou tudo o que havia afirmado naquela ocasião. Depois de ouvidas as duas partes, o júri decidiu por seis votos a um inocentar os quatro trabalhadores acusados. A sentença foi lida à 1:30 h da última quinta-feira, transformando o ambiente em uma grande festa a manifestação das famílias ali presentes. O trabalhador Francisco da Conceição (Chico Buraco) que estava preso há quase um ano saiu carregado por seus amigos.