Torero apresenta a prévia do seu filme em Miami

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Publicado sábado, 7 de junho de 2003 as 21:29, por: cdb

José Roberto Torero, escritor, romancista, cronista, cineasta é uma das personalidades mais conhecidas do cinema brasileiro atual. Torero concorre no 7º Festival do Cinema Brasileiro de Miami com o curta Morte, que já venceu vários prêmios do formato no País.

O diretor apresentou, na manhã deste sábado, a prévia de seu novo filme. Mostrou em vídeo, para um grupo reunido na sala de imprensa do Townhouse Hotel, que abriga os convidados do festival.

O filme ainda não está concluído e Torero fez os efeitos sonoros, além de preencher as lacunas deixadas pelo narrador. Deveria chamar-se Filme de Amor.

– Mas aí veio o filme do Júlio Bressane e agora talvez vire “Filminho de Amor”, diz Torero.

Talvez não seja, porque o ´inho´ tem um caráter depreciativo e não se trata disso. Torero fez um filme para dessacralizar e desconstruir as comédias românticas.

– Tudo começou quando eu integrei um grupo de estudos com amigos. Analisamos não só filmes, mas também essas revistas românticas do tipo Sabrina. Chegamos à conclusão de que nas histórias de amor oferecem um paradigma de narração que resolvemos estudar – disse.

Não só estudar, mas também recriar, de maneira crítica. Denise Fraga, que estrela Cristina Quer Casar, que também compete aqui no Festival de Miami, é a protagonista feminina. Cássio Gabus Mendes faz o herói. Ele é diretor, ela, fotógrafa. O filme descreve todo o processo de uma história romântica, desde a escolha dos personagens até o inevitável happy end.

Paulo José oferece a voz ao narrador. É o Deus ditatorial que conduz a história. Gabus Mendes, como o diretor do filme dentro do filme, vive rebelando-se contra ele, mas o narrador onipotente determina os rumos da história e, quando considera as cenas insatisfatórias, obriga a equipe a refazê-las.

Marisa Orth, presente no elenco de Durval Discos, um dos filmes que concorrem ao troféu Lente de Cristal, faz a vilã, Lilith, disposta a tudo, até chegar ao crime, para separar a dupla romântica.

O filminho de amor de Torero, sem nenhuma conotação pejorativa, foi feito em 16 mm, com a verba de um edital para telefilmes. A verba era de R$ 300 mil, e Torero informa que só ultrapassou este total em R$ 10 mil.

Percebe-se que está feliz da vida com seu trabalho. É uma brincadeira com a linguagem, divertida e inteligente pela maneira como desconstrói códigos enraizados no inconsciente do público, não só pelo velho folhetim, mas também pelo cinema e pela televisão.

Do grupo que assistiu ao vídeo, participaram a diretora Betse de Paula e a atriz Dira Paes, de Celeste e Estrela, um filme, sobre a dificuldade de filmar no Brasil, que integra a competição de longas em Miami. As duas adoraram.

O autor ainda não revelou o lançamento do filme.

– Não sei, ainda tem muita coisa para ser feita – afirmou.

Talvez fique pronto para pleitear uma vaga no Festival de Brasília do cinema Brasileiro, mais para o fim do ano. Ou para voltar como concorrente a Miami, no ano que vem.