The Economist traz Lula na capa desta semana

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Publicado quinta-feira, 3 de outubro de 2002 as 16:32, por: cdb

Depois que três tentativas frustradas, as pesquisas de opinião apontam que os brasileiros poderão eleger Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições presidenciais desta semana. A possibilidade de uma vitória de Lula, no entanto, estarreceu o mercado financeiro. A moeda corrente de Brasil, o real, caiu acentuadamente em relação ao dólar americano e a taxa de risco dos títulos brasileiros no exterior.
Este pânico dos investidores tornou muito difícil a vida para o governo brasileiro, em especial a do Banco Central, que se está esforçando para manter o sistema financeiro se deteriorando sob o controle. Se ganhar, o sr. Silva provavelmente enfrentará a pressão imediata para mostrar o que pretende fazer em relação às suas promessas pré-eleitorais, como o aperto na política fiscal e o não pagamento dos compromissos internacionais do Brasil. Pode ser que não tenha muito tempo para isto, e provavelmente precisará fazer algo para tranqüilizar os mercados antes que se trace um panorama formal até sua posse, em janeiro do ano que vem.

Mas a crise financeira que acompanhou a campanha eleitora brasileira criou também dificuldades enormes para o Fundo Monetario Internacional (FMI) e seus principais credores, principalmente o governo norte-americano. O FMI acredita que as ansiedades atuais do mercado são, em sua maior parte, causadas pela incerteza política diante a vitória de Lula.

Mas nem tudo sobre o sr. Silva é mau, da perspective dos mercados. Deslocou-se do radicalismo populista de extrema esquerda das campanhas passadas: em vez das calças de brim, usa agora os ternos de negócio, simbolizando seu movimento à terra do centro. Seus aliados apontam para uma reputação de administrador prudente e competente (…).