Testemunha diz não ter visto nada repreensível em Abu Ghraib

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Publicado quinta-feira, 13 de janeiro de 2005 as 19:23, por: cdb

Uma testemunha de defesa do soldado americano James Graner – acusado das torturas contra prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib -, o especialista em segurança Thomas Archambault, disse que a técnica de manter os presos nus e amontoados uns sobre os outros era “muito criativa e eficaz para manter a segurança numa situação potencialmente arriscada”.

Archambault acrescentou que as pirâmides humanas dos prisioneiros podem ser comparadas às figuras acrobáticas feitas por torcedoras durante os intervalos das partidas de futebol americano. Convocado pelo advogado de Graner, Guy Wormack, a testemunha declarou não ter visto “nada de repreensível” na ação dos guardas da prisão.

Graner, de 36 anos, pode pegar até 17 anos e meio de prisão, caso seja considerado culpado das acusações de conspirar para maltratar prisioneiros, incapacidade para proteger os presos de abusos, atos de crueldade, agressão e ações indecentes. Ele está sendo julgado por um tribunal militar em Fort Hood, Texas.

Na quarta-feira à noite, o oficial militar Roger Brokaw negou que tivesse ordenado os abusos em Abu Ghraib. Brokaw admitiu que os soldados foram instados a “quebrar a vontade dos prisioneiros para os interrogatórios”, mas desmentiu que isso implicasse tortura, espancamento ou humilhação sexual. Anteriormente, Graner havia declarado que agiu cumprindo ordens.

A primeira testemunha a declarar no julgamento de Graner, major Brian Lipinski, afirmou que o réu havia desobedecido ordens de seus superiores em diversas ocasiões. Entre outras coisas, deixou crescer o cabelo e visitou sua noiva, a soldado Lynndie England, apesar de ter recebido ordens em contrário. Lynndie também é acusada de ter participado dos maus-tratos aos presos.

Outra soldado, Megan Ambuhl, disse no tribunal que os interrogadores incentivavam as mulheres militares a rir e ridicularizar os presos nus durante o banho.