Terroristas se reúnem na América do Sul para planejar ataques aos EUA

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Publicado quinta-feira, 7 de novembro de 2002 as 23:48, por: cdb

Chefes terroristas do Hezbollah e de outros grupos ligados a Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda, reuniram-se recentemente na região da Tríplice Fronteira, que compreende Brasil, Argentina e Paraguai, para planejar ataques contra alvos norte-americanos e israelenses no hemisfério ocidental, segundo fontes de inteligência indicaram à CNN.

Segundo as fontes, os encontros aconteceram em Ciudad del Este e outros locais próximos, que haviam sido foco de atenção de especialistas antiterrorismo após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Há duas semanas, fontes de segurança da Argentina emitiram um forte alerta terrorista na região.

“Tivemos indicações de um aumento de atividade terrorista na região”, disse Miguel Toma, diretor do Serviço de Inteligência do Estado da Argentina (Side), órgão argentino que equivale à CIA.

“Não é irreal que possa existir alguma ação para reagir a um ataque ao Iraque; por isso, precisamos reagir por causa do conflito global”.

Nova iniciativa terrorista

Outras indicações de ameaça vieram de fontes de inteligência no Oriente Médio, que informaram à CNN sobre a existência de uma nova iniciativa terrorista contra interesses norte-americanos e israelenses, coordenada por um homem chamado Imad Mugniyeh.

De acordo com essas fontes, Mugniyeh, que trabalha desde suas bases no Irã e em zonas controladas pelo Hezbollah, no Líbano, comanda as atividades de terroristas na América do Sul e planeja atacar alvos norte-americanos e israelenses, se os Estados Unidos atacarem o Iraque ou se Israel entrar no conflito.

Mugniyeh é suspeito de haver planejado uma longa lista de ataques contra alvos norte-americanos e israelenses nos últimos 20 anos, incluindo o atentado contra um quartel da Marinha dos Estados Unidos em Beirute, em 1983, e a explosão de um carro-bomba na frente da embaixada israelense em Buenos Aires, em 1992.

Recentemente, Toma reuniu-se com funcionários de inteligência em Washington para falar sobre a possibilidade de uma nova ofensiva terrorista na América do Sul.

“Esse foi o assunto central discutido em recentes viagens a Washington”, afirmou Toma. “Existe uma relação direta entre o terrorismo aqui e nos Estados Unidos”.

Autoridades argentinas vincularam Mugniyeh a grupos como Hezbollah, Gamaa al Islamiya e Jihad Islâmica, todos eles identificados pelos Estados Unidos como grupos terroristas.

Documentos de inteligência argentinos obtidos pela CNN no ano passado indicaram vínculos entre esses grupos e algumas mesquitas e negócios na região.

O Hezbollah e a Jihad Islâmica são grupos árabes que dirigem a maioria de seus ataques contra Israel. Já o grupo egípcio Gamaa al Islamiya é um aliado público do Al Qaeda.

Investigações desde 11/9/2001

As advertências de atividades terroristas na Tríplice Fronteira não são novas e a região é conhecida por seu crescente mercado negro.

A região rapidamente passou a ser investigada pelas autoridades após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.

Dez dias depois dos atentados, a Polícia paraguaia realizou incursões em diversos estabelecimentos comerciais na região e deteve 20 suspeitos, sendo que 14 deles foram liberados mais tarde.

Em uma segunda incursão, em outubro de 2001, as autoridades paraguaias estiveram perto de capturar Assad Ahmad Barakat, que os promotores da Argentina e do Paraguai afirmam ser o responsável regional pelas operações do Hezbollah.

Autoridades argentinas acreditam que ele teve uma grande participação no ataque à embaixada israelense em Buenos Aires.

Barakat conseguiu escapar e se supõe que esteja escondido no Brasil ou que fugiu para o Líbano.

Suspeitos em fuga

Autoridades argentinas indicam mais evidências de atividade terrorista na Tríplice Fronteira, já que milhares de dólares movimentam casas de câmbio libanesas, milhões de dólares são gastos em contas telefônicas e há uma intensa tran