Tatcher e Reagan…. de novo?

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 30 de setembro de 2003 as 11:46, por: cdb

A estreita relação entre os Estados Unidos e a Inglaterra sempre foi alvo de críticas. Nos últimos meses isso vem se agravando. Nesta segunda-feira a BBC Five exibiu um programa inédito intitulado “Cowboys and Englands“, mostrando toda a trajetória dessa “amizade”.
 
Iniciada desde os tempos da Guerra do Vietnã, quando a Inglaterra enviou milhares de soldados para ajudar os Estados Unidos numa das guerras mais traumáticas para os  “yankees“. A relação tomou corpo com o casal Margareth Tatcher e Ronald Reagan. A parceria durou enquanto estes estiveram no poder.

O secretário da Casa Branca nessa época disse que os dois passavam noites conversando sobre o que fariam com o resto do mundo. A época era de atritos com a União Soviética e quando a crise atingia pontos críticos, os dois gastavam horas pensando em como resolver os problemas. Já nessa época, diz ele, a China estava na mira, sendo sempre tida como um perigo ao que eles chamam de “democracia mundial”.

Na época de Bill Clinton os traços também eram estreitos. Tony Blair se prontificou imediatamente a ir à Casa Branca dar um honrado depoimento de confiança ao colega quando o caso Monica Lewinski estourou. Em viagem de conotação oficial, foi dar o seu apoio à delicada situação de Clinton, que inclusive tinha mentido em cadeia nacional de TV para todo o povo norte-americano, cometendo um erro passível de impeachment.

O apoio incondicional dado pela Inglaterra aos Estados Unidos, em qualquer situação é justificado pelos seus defensores com alguns casos em que os norte-americanos também apoiaram os ingleses. Como foi nas Ilhas Malvinas, na Argentina, em 1982. Dificilmente o atrito teria tido o fim que teve se não fosse o apoio dos caros “amigos”, o mesmo ocorreu em conflitos no Oriente Médio e na Índia.

Nesta segunda-feira, George Bush pai  reapareceu na TV para dizer que, acha uma vergonha a imprensa inglesa chamar Tony Blair de “cachorrinho poodle dos Estados Unidos”. Segundo ele, isso é uma vergonha para o próprio povo britânico e ele nunca se sentiu tão “ultrajado”.

Tony Blair aparecia entre os blocos para dar explicações sobre as acusações de ter entrado em uma guerra que até hoje não tem suas razões muito bem esclarecidas. Mas foi ao ser perguntado sobre o que pensa de ter o rótulo de “poodle” que o primeiro-ministro pareceu ficar mais irritado e sem muitas explicações diferentes das que já havia dado. “Eu faço o que é melhor para a Inglaterra, o que é melhor para o povo daqui. O mundo agora, sem Saddam, certamente é um lugar mais seguro para viver”, disse ele.

A questão é pensarmos agora até onde essa “amizade” irá para conseguir o imperialismo que o texano e o inglês parecem sonhar. Um deseja fazer do mundo o seu quintal no Texas e o outro, segundo a imprensa britânica, ser mais famoso que a Rainha, na própria Terra da Rainha.  A “relationchip” já começa a voltar a sua artilharia para a China e para o Irã.

Desde o final da Primeira Guerra Mundial foram 72 intervenções “americanas-inglesas” em conflitos mundiais. As políticas internacionais dos dois países visam uma expansão digna dos impérios romanos e gregos. São mais de 150 mil soldados espalhados pelo mundo em bases internacionais. Será que aquelas  longas noites de conversa entre “amigos”  dignas de Tatcher e Reagan voltaram?