TAP considera inválida a compra da Varig por Nelson Tanure

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Publicado terça-feira, 20 de dezembro de 2005 as 12:59, por: cdb

A companhia aérea portuguesa TAP considerou inválida a proposta de recompra das empresas VEM e VarigLog por parte do Grupo Docas. A empresa informou o Conselho da Administração da Varig sobre sua posição na segunda-feira, informou a TAP em comunicado divulgado na manhã desta terça. A companhia aérea de Portugal assinou em 9 de novembro um acordo para a compra das duas empresas por US$ 62 milhões e segunda-feira foi o último dia para o exercício do direito de preferência sobre outras propostas que fossem apresentadas à Varig.

Fonte oficial da TAP acrescentou que o Grupo Docas, do empresário Nelson Tanure, ofereceu US$ 139 milhões para a aquisição das subsidiárias da Varig, mas não cumpriu requisitos do acordo firmado em novembro, principalmente o pagamento à TAP de US$ 62 milhões acrescidos de um prêmio de 20%. A companhia portuguesa informou que o Grupo Docas ofereceu apenas US$ 62 milhões.

“A TAP não considera válida a proposta de recompra das empresas VEM e VarigLog por não terem sido cumpridos a maior parte dos requisitos determinados pelo contrato estabelecido em 9 de novembro passado. Não só o preço de recompra é inferior ao estipulado no contrato, como a TAP nunca recebeu a ratificação dessa proposta pelo Conselho de Administração da Varig”, informou a companhia em comunicado.

Procurados, representantes da Fundação Ruben Berta, atual controladora da Varig, não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.

O Grupo Docas pretendia ainda avançar para a compra de 25 por cento da Varig por 112 milhões de dólares, mas esse cenário parece agora afastado depois que a maioria dos credores da empresa brasileira votaram contra o negócio na segunda-feira.

– A TAP vai continuar a acompanhar o processo de reestruturação da Varig e tomará uma posição em breve – concluiu a fonte oficial da TAP.

Manifesto

Uma série de instituições sindicais ligadas aos jornalistas brasileiros divulgou, nesta terça-feira, um manifesto “de indignação” pela operação de compra da Varig pelo grupo Docas, o conglomerado financeiro do empresário Nelson Tanure que também controla os jornais diários Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil.

Leia o documento, na íntegra:

Alerta à Nação

“É com indignação e preocupação cívica que jornalistas profissionais de todo o Brasil acompanham as manobras do empresário Nelson Tanure para comprar a Varig. Diante das notícias sobre a transferência do controle acionário deste patrimônio da Nação brasileira para a Docas Investimentos, do sr. Nelson Tanure, os profissionais de imprensa representados por seus sindicatos se sentem na obrigação patriótica de alertar as autoridades e a sociedade para os riscos da transação. O desrespeito sistemático do referido empresário às leis trabalhistas e aos direitos de seus empregados, assim como seus recordes em processos judiciais, que montam mais de R$ 100 milhões em passivos trabalhistas, podem dar uma idéia do futuro incerto em que estarão mergulhados os aeronautas e aeroviários da Varig caso a operação seja consumada.

“Em pouco mais de uma década, o sr. Nelson Tanure acumulou negócios em diferentes setores da economia e passou a engrossar a lista dos maiores devedores da Previdência. Só ao BNDES deve cerca de R$ 200 milhões em créditos contraídos no passado por empresas do setor naval. Arrendatário dos tradicionais Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, Tanure se tornou um dos maiores inimigos dos jornalistas preocupados com a dignidade da profissão e com a qualidade da informação recebida pela sociedade brasileira.

“Ao anunciar a compra da Varig, a direção das Docas fez referência à “otimização do nível dos empregos”. Quem conhece os métodos administrativos do sr. Nelson Tanure traduz facilmente