Tanques avançam pelo deserto do Iraque

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Publicado sexta-feira, 21 de março de 2003 as 10:19, por: cdb

Um esquadrão de tanques da VII Divisão de Cavalaria dos Estados Unidos avançava pelo deserto do Iraque, na manhã desta sexta-feira, a uma velocidade média de 40 km horários, rumo a Bagdad, a capital iraquiana. Simultaneamente, forças norte-americanas e britânicas seguiam rumo a Basra, cidade que foi cenário de sangrentos combates durante a Guerra do Golfo em 1991.

Exceto na região fronteiriça com o Kuwait, as unidades blindadas não encontraram reação em seu acelerado avanço rumo a Bagdad.

As operações tomaram uma direção inesperada, não tendo ocorrido os devastadores bombardeios que precederiam o avanço das tropas.

Aparentemente, o comando norte-americano estava avaliando os resultados dos bombardeios seletivos que marcaram o início da campanha, e que se concentram em alvos onde estariam dirigentes iraquianos, inclusive Saddam Hussein. Já há registro de dezenas de deserções de soldados iraquianos no sul.

Em Washington, cresceram os rumores de que o Pentágono estaria negociando a rendição de generais, o que explicariam em parte a suspensão dos bombardeios aéreos.

Um grupo de helicópteros Kiowa, voando a menos de 150 metros do solo, precedia o avanço do comboio, integrado por tanques Bradley e M-1A Abrams, com o objetivo de antecipar qualquer presença de tropas ou peças de infantaria.

Os tanques contam ainda com elaborado sistema de comunicações por satélite que orientam seu deslocamento e informam permanentemente o comando em tempo real do que se passa com as operações

Segunda onda de bombardeios

No segundo dia da “Operação Liberdade do Iraque”, o centro de Bagdad foi estremecido, por volta das 21:00, hora local (15:00, em Brasília), por uma série intensa de potentes explosões.

O correspondente da CNN Nic Robertson, que está em Bagdad, relatou ter visto fumaça negra emergindo de três locais distintos na capital. Vários prédios, incluindo pelo menos um do governo de Saddam Hussein, estão em chamas.

Sirenas de alerta para ataques aéreos começaram a soar na cidade cerca de 15 minutos antes dos bombardeios, que se estenderam por meia hora, assim como os flashes de luz da antiartilharia iraquiana.

Ao mesmo tempo, fontes de Washington revelavam à CNN que a guerra no Golfo passa por uma “escalada militar expressiva”, o que se traduz na realização de ataques coordenados por terra e ar.

Nesta quinta-feira, os fuzileiros navais cruzaram a fronteira do Kuwait, inaugurando as operações terrestres no Iraque.

O confronto entre os fuzileiros navais e as tropas iraquianas foi acompanhado de um bombardeio pesado ao longo da fronteira com o Kuwait.

Os correspondentes da CNN Art Harris e Lisa Rose Weaver estavam a bordo de porta-aviões norte-americanos quando foram informados sobre os ataques de artilharia no sul do Iraque.

Também o repórter John Kifner, que acompanha os fuzileiros navais, contou que os militares norte-americanos travaram aquele que foi o primeiro grande combate desta guerra.

Paralelamente, sete aeronaves do porta-aviões USS Abraham Lincoln despejaram bombas sobre alvos apontados como “ameaçadores” pelos Estados Unidos.