Suspeito do crime foi tirado das ruas pelo casal de franceses

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Publicado quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 as 11:28, por: cdb

Só na sexta-feira devem chegar ao Rio os parentes dos três franceses brutalmente assassinados nesta terça-feia, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

O assassinato foi destaque na imprensa internacional. A notícia estampou a primeira página dos jornais Le MondeLibération, Le Parisien e Le Figaro na internet. Este último afirma que o Rio é um lugar conhecido por agressões armadas contra turistas.

Em nota, o Ministro de Relações Exteriores da França transmitiu sinceros pêsames aos parentes das vítimas e disse que os serviços consulares da França estão à disposição das autoridades brasileiras.

– A tragédia podia acontecer em qualquer do mundo. Espero que a lei seja cumprida no Brasil – afirma José Marmelo, do setor de Ação Social do consulado da França, no Rio.

O casal morto, Cristian Doupes e Delphine Doyere, decidiu morar no Rio há 14 anos para ajudar crianças e adolescentes carentes. Um deles foi o ex-menino de rua acusado de ter planejado o crime, Társio Wilson Ramirez , de 25 anos.

 Ele contratatou Luis Oliveira Gonzaga e José Michel Cardoso por R$ 2 mil para ajudar no que chamou de “susto” nos integrantes da ONG Terr’Ativa. O motivo do crime, segundo a polícia, era encobrir um desfalque de R$ 80 mil na organização não-governamental. Os três foram presos menos de dez horas depois de ter cometido o crime.

Na delegacia de Copacabana, Társio insistiu em dizer que milhares de reais de doações eram desviados pelos franceses, a quem acusou de usar drogas. – Eles queriam cortar o financiamento do projeto e eu não aceitei. Foi quando a Delphine me procurou e me pôs dentro do esquema – disse ele, que comprou facas e máscaras no Camelódromo da Uruguaiana.

– O crime é conhecido como ‘queima de arquivo’. O que começou como latrocínio, agora se caracteriza como homicídio qualificado com premeditação – afirma o delegado-adjunto da 12ª DP (Copacabana), Marcus Castro.

Társio Wilson Ramirez também pode ser indiciado por estelionato se as investigações comprovarem desvio nas transações bancárias da organização. Um contador da ONG que não foi identificado disse, em depoimento, que constatou o desvio de dinheiro.

Suspeito era tratado como filho pelo casal

Tarso era considerado mais do que um funcionário de confiança. Tirado da rua pela ONG Terr’Ativa aos 15 anos foi tratado como um filho pelo casal de franceses, que conseguiu uma bolsa para ele cursar a faculdade de Administração, segundo amigos dos franceses. A terceira vítima, Jérôme Faure, era professor de Társio desde 98 e se tornou seu amigo.

O suspeito era coordenador do Projeto Brilho da Lua, que ajuda crianças do Morro do Fubá, em Cascadura, além de cuidar da parte administrativa da ONG. – O que me motiva é de ver pessoas felizes. Sei que sozinho não vou conseguir mudar o mundo, mas pelo menos mudarei a vida de algumas pessoas e um pouco de elas mesmas – diz Társio, no site da organização.

 Társio nasceu na Zona Norte do Rio e não conheceu o pai. É mais novo dos cinco irmãos e por causa do bom desempenho ele conquistou um prêmio: uma viagem para a Copa do Mundo na França.