Sudário: estudo reabre debate

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Publicado quinta-feira, 27 de janeiro de 2005 as 22:31, por: cdb

Uma nova análise do Santo Sudário sugere que a peça pode ser antiga o suficiente para ter realmente envolvido o corpo de Jesus após a crucificação, reabrindo a discussão sobre a validade de uma das relíquias cristãs mais conhecidas.

O americano Raymond N. Rogers, aposentado no Laboratório Nacional de Los Alamos, nos EUA, publicou um estudo neste mês, no periódico científico Thermochimica Acta, defendendo que o pano teria propriedades químicas que indicam sua fabricação entre 1.300 e 3 mil anos atrás.

O trabalho é uma resposta direta a outra datação do Sudário, obtida por radiocarbono em 1988 por uma equipe de britânicos e americanos e publicada no ano seguinte em um periódico científico de grande impacto, a revista Nature. Segundo eles, a peça seria um embuste medieval, fabricado entre os anos de 1260 e 1390. O Vaticano não permitiu que outros pedaços fossem cortados, sob a justificativa de preservação.

No resumo que antecede seu artigo, Rogers afirma que a data o surpreendeu por contradizer outras informações coletadas sobre o tecido, como a composição química e a tecnologia de produção. “Os resultados”, escreve, “despertam perguntas sobre a validade da amostra”.

INCÊNDIO – De acordo com ele, o pedaço estudado pela outra equipe apresenta vanilina, um produto da decomposição térmica da linhina (um composto das fibras naturais). A vanilina é encontrada em tecidos da Idade Média, mas não em peças mais antigas. A amostra não seria então parte do tecido original, mas de uma reconstrução do Sudário, submetido a um restauro após ter sido danificado por um incêndio na Idade Média. O pedaço também teria fibras de algodão, enquanto o Sudário original seria composto por linho puro.