STF notificará Jungmann por declarações sobre Lorenzetti

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Publicado quinta-feira, 26 de outubro de 2006 as 16:55, por: cdb

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto determinou a notificação do deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) para que o parlamentar esclareça declarações dadas à imprensa sobre o caso do dossiê contra candidatos tucanos, envolvendo o ex-chefe do núcleo de investigação do PT, Jorge Lorenzetti, apontado, em relatório da Polícia Federal (PF) como um dos mentores da compra.

No último dia 20, o advogado Aldo de Campos Costa, que defende Lorenzetti, protocolou no STF um pedido de interpelação judicial do deputado por causa de uma matéria publicada no jornal “Estado de São Paulo” na véspera. Segundo o advogado, na matéria intitulada “Denúncia liga petista a saque de US$ 150 mil dólares”, as declarações do deputado “dão a impressão de que o interpelado (Jungmann) está lançando suspeitas sobre a reputação do requerente (Lorenzetti)”.

O texto diz que o parlamentar, que é vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, recebeu uma denúncia, não confirmada, de que Lorenzetti teria adquirido US$ 150 mil de uma casa de câmbio sediada em Florianópolis (SC) e que haveria suspeitas de que o dinheiro seria parte da quantia usada para comprar o dossiê contra candidatos tucanos. Jorge Lorezetti era responsável pelo setor de análise e risco da campanha à reeleição do presidente Lula.

A defesa de Lorenzetti alegou que houve crime de difamação e pediu que Jungmann responda as perguntas sobre a reportagem em questão. O prazo para que o deputado responda as questões pela defesa de Lorenzetti é de 48 horas, mas o ex-assessor da campanha de Lula pode se recusar a respondê-las.

Depois de notificado, Jungmann tem 48 para se explicar. No entanto, ele pode se recusar a fazer isso. Na prática, se Jungmann confirmar as declarações que constam na matéria, isso pode servir de base para que Lorenzetti entre com uma queixa-crime contra ele no próprio STF.