Soldado preso revela detalhes do esquema de fuga de Sussuquinha

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Publicado quinta-feira, 12 de junho de 2003 as 18:59, por: cdb

Suspeito de negligência na fuga do seqüestrador Cláudio Roberto Moreira Pacheco, o Sussuquinha, dia 29 de maio, o ex-comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar Jorge Duarte teve a situação agravada pelo depoimento de um preso que revelou detalhes do esquema de fuga montado pelo criminoso. O denunciante, um soldado PM preso há dois anos no batalhão por homicídio, disse que Sussuquinha revelou ter um “acordo” com Duarte e com o chefe do serviço reservado do batalhão, capitão Márcio Viegas.

O soldado disse que o plano de fuga teve a participação de dez policiais – cinco militares, três civis já identificados e dois federais que foram mencionados pelo denunciante, sem citar nomes. O PM revelou ainda que Sussuquinha teria pago R$ 120 mil para ser transferido da Polinter para o Batalhão de Choque e outros R$ 500 mil para sair da carceragem de segurança máxima.

O coronel Jorge Duarte foi exonerado do comando do batalhão e está preso há dez dias, por determinação do secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho.

– Ele (o denunciante) disse ter ouvido de Sussuquinha que, se (o seqüestrador) fosse transferido (e não conseguisse fugir), ia se vingar e matar o capitão Viegas e o comandante do batalhão, porque teriam descumprido um acordo. Que acordo é esse ninguém sabe – disse Garotinho.

O envolvimento de policiais com o seqüestrador está sendo investigado em inquéritos das polícias Civil e Militar e pela Corregedoria Geral Unificada.

– É para evitar qualquer corporativismo. Não transigiremos, não teremos nenhum tipo de acordo com maus policiais – declarou o secretário. Os policiais militares citados, todos do Batalhão de Choque, e os três civis, da Polinter, foram afastados das funções.

Garotinho lembrou fatos que indicariam pelo menos omissão do ex-comandante do Batalhão de Choque.

– Uma fuga como essa só aconteceria com conivência da polícia. Seria muita ingenuidade achar que os policiais ficariam impunes. Houve uma denúncia de que haveria uma fuga e o efetivo, em vez de ser aumentado, foi reduzido. O armamento foi trocado por outro inferior. No mínimo, o comandante do batalhão prevaricou – afirmou Garotinho.