Sociólogos dizem que país poderia ser mais solidário

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Publicado quinta-feira, 22 de dezembro de 2005 as 11:16, por: cdb

O Brasil poderia ser muito mais solidário se investisse mais em políticas sociais do que no pagamento da dívida externa, na opinião de Eliana Graça, socióloga do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc). Em entrevista ao programa Diálogo Brasil, ela defendeu que os programas de transferência de renda são fundamentais, mas não resolvem o problema. Afirmou, também, que os projetos de responsabilidade social nas empresas são fruto de um sentimento de indignação da sociedade:

– Se o Estado não assume, não tem quem assuma, então, eu assumo. A situação é tão insustentável que as pessoas acabam assumindo um papel que não é delas.

Sérgio Haddad, diretor da Associação Brasileira de ONGs (ABONG) ,destacou, que não é possível responsabilizar a sociedade por outros deveres do Estado como sistemas de saúde e educação. Ele afirmou, no estúdio da TV Cultura, em São Paulo, que a sociedade civil é vista tanto como uma oportunidade para construção democrática, quanto uma oportunidade de lavar as mãos sobre as responsabilidades do Estado em relação aos direitos.

– As Ongs são uma forma de ser politicamente solidário, de achar soluções para que as pessoas possam ser agentes do seu próprio desenvolvimento – acrescentou.

No estúdio da TVE Brasil, no Rio de Janeiro, a diretora executiva do RioVoluntário (Ong que engaja cidadãos em ações voluntárias), Heloisa Coelho, lembrou o marco do voluntariado: os 500 anos da construção da primeira Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo, que tem a solidariedade como valor preponderante.

Também no estúdio, o professor e historiador Robson Arrais lembrou as experiências que ocorreram com o orçamento participativo. Para ele, as experiências foram positivas em prover a saúde, educação e segurança, mas esses são deveres do Estado. Arrais disse, ainda, que o país chegou a uma posição de oitava economia do mundo e de pior concentração de renda exatamente no período de alto crescimento da economia. Segundo ele, “nós nunca conseguimos associar democracia com crescimento econômico, quando tivemos uma, não tivemos a outra”. O professor defendeu que a democracia permite o debate e a geração de soluções, e, assim, ela tende a colaborar para o fim da desigualdade social.O programa de ontem foi feito em homenagem a Herbert de Sousa, o Betinho, que completaria 70 anos em 2005.