Sociedade julga em Viena o comportamento de multinacionais

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Publicado quarta-feira, 10 de maio de 2006 as 12:04, por: cdb

Na Europa, a empresa é exemplo: cumpre toda a legislação trabalhista e ambiental, divide lucros com os funcionários, ganha prêmios. Mas, nos países da América Latina, longe da terra natal e dos olhos da imprensa e da sociedade civil dos paises desenvolvidos, o que ocorre?

O comportamento de 30 empresas multinacionais de origem européia será julgado a partir desta quarta-feira até sexta-feira, por representantes de entidades da sociedade civil da Europa, da América Latina e do Caribe. O Tribunal sobre Políticas Neoliberais e Transnacionais Européias na América Latina e no Caribe é o principal evento do encontro Conectando Alternativas 2, paralelo à 4ª Cúpula União Européia – América Latina e Caribe.

Entre as empresas a serem julgadas, várias têm presença no Brasil, como Aracruz Celulose, Bayer, Unilever, Telefónica, Calvo, Cargill, Bunge, British Tobacco, Benetton e os bancos Santander e ABN Amro. Representantes de movimentos sociais de diferentes países apresentarão relatórios sobre o desempenho das empresas na América Latina e no Caribe: serão discutidas violações de direitos humanos, trabalhistas, ambientais e outros.

O brasileiro Kjeld Jakobsen, do Instituto Observatório Social, ligado à Central Única dos Trabalhadores, apresentará um dos casos, da multinacional de origem anglo-holandesa Unilever, que atua nos setores de alimentação e produtos de limpeza. Segundo ele, no Brasil, a empresa compra fábricas de concorrentes para apropriar-se apenas das marcas, posteriormente demitindo os trabalhadores, sem nenhuma negociação prévia – ele cita o caso da Cica. Em Vinhedo (SP), ainda segundo Jakobsen, a empresa estimulou trabalhadores a desligarem-se de seus sindicatos.

O sindicalista diz que as empresas européias, em geral, diferentemente das companhias norte-americanas, têm mais “cultura de negociação” com os trabalhadores.

– Mas nem todas as empresas conseguem levar esse modelo para lá. No fundo a questão é a mesma. Nas negociações comerciais internacionais, as empresas pedem a mesma coisa: mais facilidades, sem compromissos – diz.

O tribunal das multinacionais é organizado com chancela do Tribunal Permanente dos Povos, criado em 1979 para denunciar à opinião pública internacional casos de violação de direitos humanos. A iniciativa é inspirada no Tribunal Bertrand Russel, que julgou crimes cometidos na guerra do Vietnã, e o Tribunal de Nuremberg, que investigou e julgou os crimes do nazismo, durante a 2ª Guerra Mundial.