Socialistas latinos aplaudem a derrota de Bush

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Publicado quinta-feira, 9 de novembro de 2006 as 13:44, por: cdb

Presidente eleito da Nicarágua, o socialista Daniel Ortega tentou acalmar os temores dos Estados Unidos e dos líderes empresariais em relação a seu passado marxista e revolucionário, mas também criticou Washington e sua guerra no Iraque. Ortega, que comandava a Nicarágua nos anos 1990, durante uma guerra civil contra rebeldes apoiados pelos EUA, os “Contra”, voltou ao poder no domingo, com uma vitória eleitoral. Agora, ele tenta ganhar força para atacar a pobreza que atinge o seu país.

Ele se encontrou na quarta-feira com adversários conservadores e investidores, prometeu manter a economia estável e trabalhar com os EUA, seu inimigo dos tempos de Guerra Fria. Mas ele criticou a guerra no Iraque, afirmando que os eleitores norte-americanos deixaram claro nas eleições para o Congresso, na terça-feira, que chegou a hora de encerrar a ocupação militar.

– Espero que o governo dos EUA ouça o seu próprio povo e retire em breve suas tropas do Iraque e ponha um fim à guerra – disse Ortega a milhares de simpatizantes, que carregavam bandeiras do Partido Sandinista, nas cores vermelho e preto.

Ele disse que os republicanos pagaram o preço por “manter uma guerra que é rejeitada pelo mundo todo”. Washington preocupa-se com a possibilidade de Ortega aderir ao bloco de líderes radicais da América Latina, liderados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e pelo líder cubano, Fidel Castro. Ortega chegou ao poder pela primeira vez em 1979, através de uma revolução popular, e durante anos foi próximo a Fidel. No comício de quarta-feira ele referiu-se ao cubano e a Chávez como “irmãos queridos”.

Alguns nicaraguenses temem que uma aliança com Cuba e com a Venezuela provoque um novo confronto com os EUA. Ortega, 60, tentou acalmar as preocupações em relação a seus planos domésticos, dizendo que vai trabalhar lado a lado com antigos adversários para reconstruir o país devastado pela guerra dos “Contra”, que terminou apenas quando ele foi retirado do poder, em 1990.

– Não vejo mudanças dramáticas e radicais na economia, que foi estabilizada nos últimos anos – disse, antes de pedir para os ricos ajudarem a financiar sua guerra contra a pobreza.

Confisco de bens

Sandinistas confiscaram muitos negócios e fazendas nos anos 1980. Estas políticas, combinadas com um bloqueio econômico dos EUA e com a guerra, levaram o país ao caos. Ortega diz que aprendeu a lição e que trocou o marxismo por um programa de centro-esquerda. Ele prometeu evitar confiscos de terras e trabalhar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para proteger a estabilidade econômica.

Líderes empresariais afirmam que estão lhe dando o benefício da dúvida, mas que vão vigiar de perto suas decisões políticas.

– Há preocupações, alguma apreensão. Muita gente foi afetada nos anos 1980 e a pessoa que liderou aquele processo é agora presidente eleito – disse à agência inglesa de notícias Reuters Erwin Kruger, presidente do principal grupo empresarial do país, a Cosep.

Ortega foi beneficiado na eleição pelas divisões entre políticos de direita e pela irritação dos eleitores depois de três governos pró-EUA, que fizeram pouco para ajudar aos pobres. Quando assumir o cargo, em janeiro, vai tentar fazer uma acrobacia política, recebendo ajuda de Chávez e Fidel para programas contra a pobreza, mas sem irritar os EUA.

Chávez também comemora

Presidente da Venezuela, Hugo Chávez disse que começou “a queda” do governo de George W. Bush e que o presidente americano “deveria renunciar”. O comentário foi feito após o anúncio da saída do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld.

– Começou a queda. Acredito que começou a cair o governo de Bush. Por moral, ele (Bush) deveria renunciar – afirmou Chávez, em entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros no Palácio Miraflores, na capital Caracas.

O presidente venezuelano comemorou a vitória do Partido Democr