Sobe para 16 o número de mortos na Itália

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Publicado sexta-feira, 1 de novembro de 2002 as 00:15, por: cdb

Equipes de resgates continuam a busca de sobreviventes entre os escombros da escola, cujo teto desabou devido a um violento terremoto que atingiu a cidade de Giuliano di Puglia, no sul da Itália. Segundo o site do jornal “Corriere de la Sera”, pelo menos 16 pessoas morreram (13 estudantes, um professor e duas mulheres – uma de 56 anos e outra de 90).

As agências internacionais afirmam que as mulheres mortas viviam próximo à escola e foram atingidas pelo desabamento de suas casas.

Calcula-se que na escola ainda há cerca de 20 soterrados. As equipes de resgate tiraram com vida mais quatro crianças presas sob os escombros do colégio. Aproximadamente 20 crianças já haviam sido resgatadas com vida. Desse total, oito estão em estado crítico.

Inicialmente cerca de 50 crianças, de três a seis anos, ficaram presas sob os escombros, disseram bombeiros de Campobasso, capital da região de Molise, afetada por um tremor de 5,4 graus na escala Richter.

As equipes de socorro conseguiram retirar grande parte do entulho que os impedia de chegar às salas da escola onde estavam as crianças. Os meninos estavam cobertos de terra e pó.

‘É uma operação muito perigosa e delicada. Há escombros por todos os lados. Tudo é instável e não podemos usar nem pás’, explicou um integrante da Cruz Vermelha, Carlo, que escavava o solo com as mãos.

Protegido por uma máscara de oxigênio, ele explicou que estão ‘abrindo buracos’ entre os escombros para que possam ouvir as crianças.

‘Ouve-se as vozes deles e de pessoas que falam, mas temos que trabalhar muito lentamente porque tudo vibra, é muito perigoso’, reiterou Carlo.

Os moradores do local iluminaram com fogueiras a estrada principal que leva ao local onde prosseguem as operações de resgate.

De acordo com o vice-presidente da região, Aldo Patricello, que está coordenando os trabalhos de resgate, foram enviadas equipes com 50 cachorros especializados em resgate de vítimas.

O Ministério do Interior enviou ao local três helicópteros e 200 bombeiros de regiões vizinhas.

O chefe de governo, Silvio Berlusconi, que preside hoje uma reunião do conselho de ministros, está sendo informado sobre a situação.

Tremores

No total seis tremores de várias magnitudes foram registrados no sul da Itália desde as 7h32 (horário de Brasília), quando foi sentido o primeiro sismo de 5,4 graus na escala Richter.

O epicentro do primeiro tremor foi perto de Campobasso, 226 quilômetros ao sudeste de Roma, na região de Molise.

A prefeitura da capital regional anunciou que prédios antigos caíram no centro histórico de Campobasso e em outras cinco localidades próximas.

Segundo as autoridades, os outros cinco povoados afetados são Bonefro, Larino, Santa Croce di Magliano, Colletorto e San Giugliano di Puglia. Todos localizados num raio de 50 km ao redor de Campobasso.

O local do terremoto é distante da Sicília, onde tremores provocados pelo Monte Etna, o maior e mais ativo vulcão da Europa, entrou em erupção no domingo (27).

Em julho do ano passado, um terremoto medindo 5,2 graus na escala Richter atingiu a região de Alto Adige, no norte da Itália, matando duas pessoas e deixando vários feridos. Segundo as autoridades, as vítimas foram atingidas por deslizamentos de terra e rochas.

O epicentro foi 10 km ao norte da cidade de Merano, perto da fronteira com a Áustria. O tremor sacudiu prédios e disparou alarmes de carros em Merano, mas não chegou a provocar grandes danos na cidade. Reverberações foram sentidas em Veneza (150 km ao sul), na Áustria e na Suíça.

Em 1980, cerca de 2.800 pessoas morreram quando um terremoto medindo 7,2 graus na escala Richter atingiu o sul de Nápoles.