Situação política do Paraguai é foco das reuniões da Unasul e Mercosul

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Publicado quinta-feira, 28 de junho de 2012 as 14:34, por: cdb

Por conta da crise política que se instalou no Paraguai na última semana, gerada pela deposição, sem possibilidades de defesa, do presidente Fernando Lugo, a reunião realizada ontem (27) pelo Conselho de Chefes de Estado e de Governo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) teve como principal decisão a exclusão do Paraguai da próxima cúpula do bloco regional, que acontecerá amanhã (29), em Mendoza, na Argentina.

A decisão, segundo assegurou o comunicado da Secretaria Executiva do bloco, divulgado na quarta-feira, confirma o acordado em reunião realizada no último dia 21, na cidade do Rio de Janeiro, Sudeste do Brasil.

Para decidir pela exclusão do Paraguai também foram levados em consideração os resultados da missão de chanceleres e representantes dos Estados membros da Unasul que viram e sentiram de perto a situação política do país.

Aliado a isso, pesava sobre o Paraguai o Protocolo Adicional ao Tratado Constitutivo da Unasul sobre ‘compromisso com a democracia e respeito irrestrito dos direitos humanos como condições essenciais para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados membros’. Tratado que não aceita a ruptura da ordem institucional nos países do bloco.

O Conselho também decidiu se reunir novamente em uma reunião extraordinária amanhã (29), em Mendoza, para avaliar a situação política do Paraguai.

A Cúpula Social do Mercosul, que terminou nesta quinta-feira, em Las Heras, Mendoza (Argentina) com a presença de cerca de 800 representantes de movimentos sociais e de oito nações (Argentina, Brasil, Uruguai, Chile, Bolívia, Venezuela, Equador e uma delegação de paraguaios/as) também teve como foco dos debate a importância de proteger a democracia na região e a situação política do Paraguai, com o “golpe de Estado expresso” contra Fernando Lugo.

Todos os representantes políticos das oito nações se posicionaram contra a destituição de Lugo e pediram sua restituição urgente para o cargo ao qual foi levado pelo voto popular. Na ocasião, Oscar Laborde, do Conselho Consultivo da Sociedade Civil da Chancelaria Argentina, exprimiu seu apoio e unidade com os paraguaios e paraguaias.

“Hoje somos todos paraguaios, estamos unidos para que a democracia volte; e para que estejam cientes de que levamos anos de lutas, de quedas, e estaremos juntos nesta luta; não vão nos roubar o sonho”, manifestou.

Simiao Estelita Sa de Oliveira, da Secretaria Geral da Presidência do Brasil, também prestou solidariedade ao país vizinho e pediu o retorno à democracia no Paraguai. O representante brasileiro também ressaltou a importância de espaços como a Cúpula Social para que se possa gerar a participação social e valorizar a integração entre as nações.

Por sua vez, Graciela Congo, secretária de Educação da Central Única dos Trabalhadores Autêntica do Paraguai e ex-ministra do Trabalho, falou em nome de seu povo. “Paraguai é o coração da América, por isso lhes peço que estejam ao nosso lado e que defendamos a democracia; e que brindem seu apoio contra o golpe de estado que se cometeu em meu país; quero que me digam um sim se colocando de pé, apoiando ao Paraguai”, pediu, contando com a solidariedade dos presentes.

Com informações de Paraguay Resiste