Síria aceita conversar com EUA sobre situação do Iraque

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Publicado terça-feira, 14 de novembro de 2006 as 13:06, por: cdb

A Síria aceita as sugestões de que os Estados Unidos possam buscar sua ajuda para estabilizar o Iraque e aguarda Washington tomar a iniciativa, disse um jornal oficial nesta terça-feira. “A Síria está pronta para o diálogo com os Estados Unidos a fim de obter segurança e estabilidade, e estende suas mãos sinceramente, como sempre, na espera por uma resposta. A bola está na quadra deles. Declarações sobre a necessidade de diálogo com a Síria e sobre como começar a tratar dos problemas da região como um todo são interessantes”, disse editorial do diário Tishreen.

Até recentemente, o presidente dos EUA, George W. Bush, se recusava terminantemente a buscar ajuda do Irã e da Síria para conter a insurgência no Iraque. Mas a vitória democrata nas eleições parlamentares da semana passada o obrigou a buscar uma nova rota. O democrata Joseph Biden, cotado para presidir a Comissão de Relações Exteriores do Senado, disse na semana passada que os EUA deveriam convocar uma conferência internacional sobre o Iraque, com a participação de Teerã e Damasco.

O governo britânico enviou um representante na semana passada à Síria para discutir o tráfico de armas para o Iraque. Num discurso anual sobre política externa na segunda-feira, o primeiro-ministro Tony Blair disse ser possível “uma nova parceria” com os dois países. Da mesma forma, alguns participantes do Grupo de Estudos do Iraque defendem que os EUA abordem o Irã e a Síria para discutir o Iraque. Esse grupo norte-americano, bipartidário, deve apresentar em breve ao governo Bush recomendações de alternativas estratégicas para a guerra.

O Tishreen disse em seu editorial que o recente veto dos EUA a uma resolução da ONU que condenaria Israel por um ataque que matou 19 civis em Gaza não é um bom prenúncio para uma posição “construtiva e objetiva” dos EUA nos assuntos regionais. As relações entre Damasco e Washington, que eram ruins havia anos, pioraram depois da invasão norte-americana ao Iraque, em 2003. A Síria qualificou a invasão de “assalto à mão armada”, e Washington acusou Damasco de permitir que guerrilheiros e armas cruzassem a desértica fronteira entre os dois países.

A situação se agravou ainda mais em 2005, depois do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Al Hariri, num atentado em que a Síria foi acusada de envolvimento, e negou. A Síria diz que a estabilidade iraquiana é de seu interesse e cobrou de Bagdá mais eficácia na vigilância da fronteira. Cerca de 1 milhão de iraquianos fugiram para a Síria desde o início da ocupação norte-americana. O Iraque vive à beira de uma guerra civil devido aos conflitos sectários e à insurgência.