Silicone está em falta por causa do Carnaval

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Publicado quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003 as 19:30, por: cdb

Os bumbuns firmes e bronzeados que as brasileiras mostram freneticamente no Carnaval enfrentarão neste ano um duro rival: seios com implantes de silicone.

A proximidade do Carnaval, que começa em 1 de março, desencadeou uma verdadeira febre por implantes de próteses de seios em mulheres e travestis, provocando escassez de silicone no mercado.

“O verão e a proximidade do Carnaval aumentaram a demanda de implantes mamários e está faltando silicone no mercado. As importações não são suficientes para atender tanta demanda por cirurgias”, disse o cirurgião Paulo Matsudo, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“Somos um país tropical banhado por um enorme litoral e a população está sujeita a uma maior exposição do corpo nas piscinas e nas praias. O Brasil é um país que gosta da beleza e isso faz com que haja um aumento da busca por cirurgia plástica”, afirmou Matsudo.

A modelo Janaína Ribeiro, de 30 anos, que acaba de colocar “seios novos” de 215 mililitros, concorda. “Nossa cultura é essa. Expor o corpo, mulheres bonitas, praia, biquíni, isso está dentro de nós”, comentou.

Matsudo realiza duas cirurgias por dia em sua clínica. Mas a demanda aumentou na temporada pré-Carnaval.

“Seguindo os cuidados adequados é possível estar dançando no Carnaval sete dias depois da operação”, garantiu Matsudo.

Outra causa da falta de silicone no Brasil é a crescente demanda por implantes nos glúteos.

“O bumbum é uma região que as brasileiras sobrevalorizam. O bumbum pode cair por razões biológicas, e então também estamos fazendo muitas gluteoplastia”, disse o médico.

Sandra Guerra, representante e distribuidora no Brasil da firma francesa Perrose Pherthese — produtora de silicone — não lamenta as vendas perdidas pela falta de material.

“A procura é muito grande. Em dezembro e janeiro perdemos muitas vendas devido à falta de próteses. Com as férias e o Carnaval, as mulheres estão muito mais estimuladas a fazer cirurgias”, afirmou.

CADA VEZ MAIOR

O tamanho das próteses, dizem os médicos, vem crescendo.

“A mulher brasileira está usando volumes cada vez maiores. Há poucos anos, a média era de 120 a 180 mililitros. Agora é de 160 a 220 mililitros”, disse o cirurgião Carlos Uebel.

Marisa, terapeuta ocupacional de 46 anos, acaba de colocar implantes de 225 mililitros nos seios.

“Uso silicone há 15 anos. Sempre gostei muito. Há dez anos coloquei 120 mililitros. Agora tenho 225. Aumentei, é uma questão de auto estima”.

Para Sandra Guerra, ter seios maiores já virou parte da cultura brasileira.

Mas Matsudo afirma que o tamanho deve ser proporcional ao corpo e revelou que as mulheres que desejam colocar seios muito grandes são encaminhadas para um psiquiatra.

“Tem que colocar as próteses proporcionalmente, em harmonia com o corpo da mulher. Quando uma paciente pede uma mama muito grande, mandamos para uma consulta psiquiátrica”, disse.