Sigilos telefônicos equenta CPI das Sanguessugas

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Publicado terça-feira, 24 de outubro de 2006 as 22:18, por: cdb

A ausência da quebra de sigilos telefônicos dos envolvidos com a compra do dossiê contra políticos do PSDB entre a documentação enviada pela Justiça Federal de Mato Grosso nesta terça-feira está dando o que falar na CPI das Sanguesugas. Logo pela manhã, o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), informou aos jornalistas que havia recebido o material da Justiça de Mato Grosso, que inclua, segundo ele, o relatório da Polícia Federal sobre o caso e as quebras dos sigilos telefônicos.

No entanto, integrantes da oposição reclamaram da ausência dos sigilos. Eles ainda não tiveram acesso aos documentos (Biscaia os autorizou a ler o material somente a partir desta quarta-feira), mas puderam ler o ofício do juiz Jefferson Schneider sobre os papéis enviados à CPI.

O ofício não cita os sigilos. Diz apenas que foram entregues o relatório da PF, os depoimentos de Luiz Antônio Vedoin e Darci Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas, Ivo Spínola, genro de Darci, e do empresário Ronildo Pereira Medeiros, ligado ao esquema, além de um “avulso” contendo documentos apresentado pelos Vedoin e os relatórios referentes às buscas e apreensão feitas nas casas dessas pessoas.

Baseado no ofício do juiz, o vice-presidente da CPI, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), cobrou as quebras dos sigilos e também as fitas do circuito interno do Hotel Íbis, de São Paulo, onde a PF desmontou a operação de compra do dossiê.

– Estamos diante de uma obstrução das investigações. Uma obstrução de responsabilidade da PF -, disse.

Durante o dia, Biscaia manteve a versão de que havia recebido os sigilos. Somente no fim da tarde desta terça, no entanto, passou admitir que esses documentos não foram enviados.

A crise em cima dos sigilos mantém o clima de mal-estar dentro da CPI entre Biscaia e os integrantes da oposição. Havia a expectativa de que a situação melhorasse após a chegada dos documentos da Justiça. Mas com o impasse sobre o material referente aos sigilos, a tensão voltou a aumentar entre os parlamentares.