Sharon volta a ameaçar Arafat

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Publicado segunda-feira, 5 de abril de 2004 as 08:59, por: cdb

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, recuou nesta segunda-feira de sua promessa pessoal ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de não atacar o líder palestino Yasser Arafat.

Sharon, em uma série de entrevistas na mídia, também revelou detalhes da planejada retirada unilateral de terras ocupadas, afirmando que pretende remover todos os assentamentos da Faixa de Gaza, mas não mais que quatro da Cisjordânia.

” Não estou garantindo a segurança física dele”, disse Sharon sobre Arafat, presidente palestino que Israel acusa de fomentar a violência em três anos de conflito. Arafat nega. “Quem quer que mate judeus ou ordene o assassinato de judeus e cidadãos israelenses…é um homem marcado”, disse Sharon ao site Ynet, do jornal Yedioth Ahronoth.

Sharon reconheceu que havia prometido a Bush não atacar Arafat fisicamente. Mas ele ressaltou que “aconteceram mudanças desde então”, incluindo uma decisão dos EUA de adotar a recusa de Israel em negociar com Arafat.

“No momento em que assumi este compromisso, de não atacá-lo fisicamente…ele ainda andava sobre tapetes vermelhos”, declarou ele ao jornal Maariv. “Hoje em dia, mesmo estas pessoas (que o honraram) sabem exatamente a dimensão dos danos que ele causou.”

Mas qualquer medida contra Arafat provavelmente irritaria Washington, principal aliado de Israel. Na última sexta-feira, após Sharon ameaçar que Arafat poderia ser assassinado, os EUA disseram que são contra tal iniciativa e avisaram Israel disso. 

Falando à Rádio do Exército, Sharon disse que ainda há detalhes a serem trabalhados no plano de retirada. Ele pedirá o endosso de Bush à medida no encontro que terão no dia 14 de abril, em Washington. Mas, em referência aos 21 assentamentos em Gaza, o primeiro-ministro disse: “Acredito que nossa intenção seja deixá-los todos.”

Sem especificar datas, Sharon disse que uma retirada da Cisjordânia seria limitada. “Estamos falando sobre quatro assentamentos em Samária (norte da Cisjordânia) e nada mais.”
Nas entrevistas, Sharon manifestou confiança de que não será indiciado em um caso de corrupção. Diversos ministros já declararam que ele deve renunciar ou se afastar caso seja levado a julgamento.