Sharon vive os últimos dias de uma era na história de Israel

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Publicado quinta-feira, 5 de janeiro de 2006 as 15:59, por: cdb

Abalados, os israelenses permaneceram colados ao rádio e à TV nesta quinta-feira, ansiosos por notícias sobre o estado de saúde do primeiro-ministro Ariel Sharon, que lutava pela vida após submeter-se a uma grande cirurgia realizada devido a uma hemorragia cerebral. No Muro das Lamentações, judeus oravam para o dirigente de 77 anos de idade. Mas as notícias sobre o delicado estado de saúde de Sharon foi comemorada pelos palestinos da Faixa de Gaza e pelos judeus ultranacionalistas, grupos com nada mais em comum do que seu desprezo pelo homem apelidado de “trator”.

Em ônibus e lojas, estações de rádio tocavam músicas melancólicas entre boletins sobre o estado de saúde de Sharon e entrevistas com médicos, a maior parte dos quais sugerindo que o dirigente ficaria com sequelas graves se conseguisse sobreviver à intervenção cirúrgica.

– É uma pena que ele tenha partido. É o destino – disse o comerciante David Dayan, em Jerusalém.

Os médicos afirmaram ter conseguido interromper a hemorragia no cérebro de Sharon depois de uma cirurgia de sete horas e que o estado de saúde dele era delicado, mas estável. Não havia informações sobre os danos sofridos pelo cérebro do premiê.

– A população israelense está confusa, estressada e ansiosa, sentido-se mergulhada em algo irreal. O primeiro-ministro Ariel Sharon não regressará à arena política – escreveu o comentarista Maya Bangal no site do jornal Maariv.

Os inimigos de Sharon, porém, celebravam.

Os ultranacionalistas, que tentaram de tudo para impedir a retirada israelense da Faixa de Gaza no ano passado, fizeram brindes ao ouvir a notícia sobre o estado de saúde do premiê.

– Os anjos ouviram nossas orações – disse Michael Ben-Horin, membro do grupo antiárabe Kach.

Na Faixa de Gaza, também houve manifestações de alegria. Crianças palestinas saíram às ruas com cartazes nos quais se lia: “Sharon, vá para o inferno”. O premiê é odiado pela comunidade árabe por ter planejado a invasão do Líbano em 1982, durante a qual milícias cristãs aliadas de Israel massacraram palestinos em dois campos de refugiados.

– A queda do Drácula do século significa um dia de alegria para todos os palestinos e todos os muçulmanos – afirmou Abu Abir, porta-voz dos Comitês de Resistência Popular, um grupo militante.