Sharon pode deixar Likud e formar partido de centro

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Publicado sexta-feira, 18 de novembro de 2005 as 12:14, por: cdb

Importantes assessores do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, o vêm pressionando a deixar o turbulento Partido Likud e formar um novo movimento político mais ao centro para disputar as eleições antecipadas de 2006, disseram fontes políticas nesta sexta-feira. Sharon vai decidir no fim de semana se abandona o barco ou se fica à frente do Likud, partido de direita que ele ajudou a fundar, mas que está ideologicamente à deriva desde a desocupação da Faixa de Gaza, afirmaram as fontes.
– Na minha opinião, ele já se decidiu, mas não quer dizer. Tenho suspeitas de que ele planeja deixar o Likud, disse um confidente de Sharon. – Esperamos a decisão até a noite de sábado ou domingo.

Na semana passada, Shimon Peres, que era parceiro de Sharon num governo de união nacional, foi destituído da liderança do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, o que acelerou a contagem regressiva para o duelo eleitoral em Israel. O sucessor de Peres, o sindicalista Amir Peretz, quer retirar os trabalhistas da coalizão. Para não correr o risco de que isso provoque eleições imediatas, Sharon se antecipou na quinta-feira e aceitou convocar eleições para fevereiro ou março.

As pesquisas mostram que, sob a liderança de Sharon, o Likud vence os trabalhistas, uma vez que Peretz nunca foi testado no trato com a rebelião palestina, iniciada em 2000. Como dirigente de um novo partido, Sharon deve disputar o governo cabeça-a-cabeça contra Peretz. Pesquisa do jornal Yedioth Ahronoth dá a cada grupo 28 vagas entre as 120 do Parlamento. Mas isso ainda deixaria Sharon à frente do Likud, que ficaria sob o comando do radical Benjamin Netanyahu e, segundo o jornal, conseguiria apenas 18 deputados.

Para Sharon, aparentemente, a decisão depende da sua capacidade de conter cerca de 12 “rebeldes” do Likud, que sob a liderança de Netanyahu querem puni-lo por encerrar 38 anos de ocupação da Faixa de Gaza. “Para Sharon, a dúvida é sobre o dia seguinte”, escreveu o analista Nahum Barnea no Yedioth. “Ele não sabe quantos rebeldes do Likud terão vaga no próximo Parlamento e até que ponto poderão ir.”

Acredita-se que o novo partido de Sharon tentaria capitalizar a popularidade que ele obteve com a saída de Gaza e se apresentaria como uma alternativa patriótica ao Likud. Peres e ex-chefes de segurança poderiam fazer parte da cúpula do novo partido. Entre os possíveis nomes do novo grupo político, segundo a imprensa, estão o de “Partido Nacional Liberal” e “Não Tenho Outro País”.

Embora aprovem a retirada israelense de seus territórios, os palestinos suspeitam que Sharon queira que Gaza sirva de pretexto para que Israel mantenha o controle sobre a Cisjordânia. Peretz propõe uma retirada substancial da Cisjordânia, colocando-se assim como o oposto ideológico do Likud de Netanyahu, caso Sharon forme um novo partido de centro.