Sharon continua no governo de Israel

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Publicado quinta-feira, 31 de outubro de 2002 as 00:00, por: cdb

O primeiro-ministro Ariel Sharon comunicou seu propósito de continuar à frente do governo israelense, apesar do desmoronamento da coalizão governamental, precipitado pela renúncia de seus cinco ministros do Partido Trabalhista, por divergências sobre o total do orçamento a ser destinado a assentamentos judaicos na Cisjordânia.

“Vamos continuar a governar o país de forma responsável e clara”, disse Sharon, dando a entender que não pretende, pelo menos de imediato, convocar eleições antecipadas, a despeito de não contar mais com maioria na Knesset, o parlamento israelense.

Com a saída dos trabalhistas, Sharon perdeu o apoio de 24 membros, dos 120 da Knesset e deverá enfrentar, já na próxima segunda-feira, um voto de confiança.

Acredita-se que Sharon, que dispõe agora de apenas 58 votos na Knesset, vai tentar negociar uma coalizão com pequenos partidos religiosos e ultranacionalistas.

Sharon reagiu com vigor à decisão do Partido Trabalhista de abandonar a coalizão, classificando-a de “absurda” e politicamente motivada.

“É apenas por isso que você está acabando com o governo de união nacional”, indagou irritado na tribuna da Knesset, dirigindo-se ao Bejamin Eliezer, que acabara de anunciar sua renúncia ao posto de ministro da Defesa, iniciando a saída dos membros trabalhistas do gabinete.

“Fizemos tudo o que estava a nosso alcance”, acrescentou. “Vamos continuar a governar o país”.

Embora tenha perdido o apoio trabalhista, Sharon conseguiu de imediato a aprovação preliminar de seu orçamento de austeridade por 65 a 45 votos, com duas abstenções.

Colapso da coalizão
A coalizão do Governo de Israel entrou em colapso nesta quarta-feira, após o fracasso de negociações de última hora na questão das verbas destinadas às colônias judaicas na Cisjordânia para o Orçamento de 2003.

O ministro da Defesa e líder dos trabalhistas, Benjamin Ben Eliezer, foi o primeiro a entregar o cargo, seguido dos outros quatro colegas.

Os trabalhistas defendiam a redução da verba, de 150 milhões de dólares, e a canalização de mais fundos para programas na área social voltados para a população de renda mais baixa.

O chefe do Governo, que é do bloco Likud, tinha duas opções – tentar formar um novo Gabinete com partidos pequenos da direita e religiosos ou convocar novas eleições. Como não falou de convocar eleições, espera-se que vá tentar um acordo com partidos de extrema direita.

Nas negociações de última hora, foi proposto por mediadores um acordo que teria incluído a promessa de equiparar os fundos orçamentários destinados a programas sociais com as verbas destinadas à expansão de assentamentos judaicos.

Eliezer, contudo, recusou a proposta por considerá-la vaga e por querer a adoção de medidas concretas, de imediato.

Sharon sempre foi um fervoroso defensor da construção de assentamentos na Cisjordânia, cuja comunidade soma cerca de 200 mil habitantes e é considerada por parte dos israelenses essencial para sua segurança, como primeira linha de defesa no leste.

Os assentamentos judaicos em Gaza são menos povoados, mas continuam sendo um foco de conflito com os palestinos.

Com o tempo, os assentamentos se tornaram um dos principais pontos de disputa no processo de paz palestino-israelense.

Os palestinos vêem os assentamentos como um instrumento da ocupação israelense, cujo objetivo seria dividir um futuro Estado palestino em áreas não contíguas.

Antecipando o que poderia ser a queda do Governo israelense, Ben Eliezer defendeu, na terça-feira, a convocação de novas eleições para março ou abril de 2003.

Ao ser eleito, em 2001, Sharon conseguiu formar uma coalizão com o apoio de 82 dos 120 membros do Parlamento.

Uma pesquisa publicada pelo jornal Yediot Ahronot diz que, se fosse realizada uma eleição agora, os trabalhistas perderiam cadeiras na Knesset, ficando com apenas 21, e o Likud, de Sharon, cresceriam passando de 19 a 29 cadeiras.