Sharon: “Arafat é mau negócio para as seguradoras”

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Publicado sexta-feira, 2 de abril de 2004 as 09:51, por: cdb

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, ameaçou nesta sexta-feira matar Yasser Arafat, ao comentar que o presidente palestino é um mau negócio para as seguradoras. Sharon também incluiu o xeque Hassan Nasrallah, líder da guerrilha libanesa Hizbollah, nas ameaças, feitas em uma série de entrevistas à imprensa.

“Eu não sugeriria a nenhum deles que se sinta seguro. Eu não proporia a nenhuma seguradora que lhes dê cobertura”, afirmou o primeiro-ministroao jornal israelense Haaretz. “Qualquer um que matar um judeu, ferir um cidadão judeu ou mandar alguém para matar judeus é um homem marcado. Ponto.”

A ameaça de Sharon a Arafat, a mais explícita até agora, acontece dez dias depois de Israel matar o fundador do Hamas, xeque Ahmed Yassin, na Faixa de Gaza. O ministro palestino Saeb Erekat reagiu aos comentários de Sharon dizendo que, sem Arafat, haveria “caos, extremismo e anarquia” na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Em setembro, Israel decidiu que Arafat deveria ser ”removido”, mas o presidente palestino, de 74 anos, esnobou as ameaças, dizendo que estava disposto ao “martírio.” Sharon reconheceu ainda que prometeu aos Estados Unidos não fazer mal a Arafat, considerado pelos palestinos um símbolo símbolo da sua luta por um Estado – e visto pelos israelenses como um obstáculo à paz.
Enclausurado na sede da Autoridade Palestina, em Ramallah, na Cisjordânia, Arafat nega as acusações israelenses de que apóie a violência dos militantes palestinos. 

Em entrevista ao Maariv, Sharon disse também que dentro de um ano deve colocar em prática o seu plano unilateral de desocupação da Faixa de Gaza e de parte da Cisjordânia, criticado por seus aliados políticos de ultradireita.

No dia 14 de abril, o primeiro-ministro se encontra em Washington com o presidente George W. Bush para finalizar os detalhes do plano.

Mas a proposta pode ser enterrada se ele perder um referendo interno do partido Likud sobre a questão, ou se o procurador-geral de Israel decidir indiciar Sharon por um caso de corrupção. “Minhas mãos estão limpas”, garantiu ele ao Maariv.