Sexo com estranhos vira moda em parques ingleses

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Publicado sexta-feira, 26 de setembro de 2003 as 18:13, por: cdb

Voyeurs e exibicionistas que apreciam uma diversão ao ar livre descobriram nos parques ingleses prazeres eróticos que não têm nada a ver com levar o cachorro para passear. O “dogging” (algo como “cachorrar”), termo usado para descrever uma variedade de atos sexuais praticados ao ar livre ou dentro de carros estacionados diante de estranhos, e às vezes com estranhos, virou mania tão grande na Grã-Bretanha que as autoridades sanitárias já lançaram avisos sobre seus perigos.

Aparentemente, o termo veio de pessoas que afirmam estar apenas “levando o cachorro para passear”, mas na realidade saem às ruas em busca de algo mais excitante.

Já surgiram Web sites em todo o país falando dos prazeres do sexo praticado sob as estrelas, e murais de recados online trazem listas dos melhores parques e estacionamentos onde se pode ver pessoas “se expressando” livremente.

Um acadêmico que estudou comportamentos anti-sociais em parques e topou com a prática crescente do “dogging” acredita que ela traz perigos.

“O problema é que as pessoas deixam jogados camisinhas, lubrificantes e às vezes peças de roupa em locais frequentados por famílias e criam dores de cabeça para os garis”, disse Richard Byrne, do Harper Adams College.

“Prostitutas começaram a invadir algumas dessas áreas e sei de casos em que pessoas foram atacadas enquanto faziam “dogging“.”

Byrne disse que existem centenas de locais em que se pratica o “dogging” espalhados por todos os condados ingleses, desde o litoral sul do país até a fronteira com a Escócia.

“O “dogging” está sendo movido pela Internet e uma prática muito difundida. Alguns “doggers” a levam muito a sério, usando camuflagens e chegando a fazer diários relatando suas experiências”, disse o estudioso.

Luzes piscantes

Entre as dezenas de sites dedicados ao “dogging“, vários oferecem dicas sobre os melhores locais para praticar o esporte, como encontrar pessoas com quem praticá-lo e como assinalar que você quer assistir ou ser visto.

“Os sinais mais comuns usados pelos “doggers” são luzes piscantes. Deixar a luz interna do carro acesa significa que as pessoas querem ser vistas. Se elas deixam os vidros abertos, quer dizer que querem ser acariciadas”, explica um site.

As autoridades sanitárias do sudeste da Inglaterra divulgaram avisos em Web sites dedicados ao “dogging” alertando sobre os casos de doenças sexualmente transmissíveis ligadas à prática.

Byrne disse que propôs várias maneiras de coibir o comportamento, incluindo o aumento das patrulhas policiais. Mas admite que já teve que excluir uma solução proposta.

“Pensamos que melhorar a iluminação nos parques pudesse coibir os “doggers“, mas na realidade só faz com que fique mais fácil assistir ao que fazem”, disse ele.