Sérvios vão as urnas para eleger presidente

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Publicado domingo, 16 de novembro de 2003 as 16:27, por: cdb

Um total de 6,5 milhões de sérvios com direito a voto irão às urnas neste domingo para eleger seu novo presidente pela terceira vez em pouco mais de um ano, com o temor de um novo fracasso, como o que anulou as duas convocações anteriores pela alta abstenção do eleitorado.

A presidência é disputada por seis candidatos, entre eles o da reformista coalizão governante DOS, Dragoljub Micunovic, favorito segundo as pesquisas, e seu principal adversário, Tomislav Nikolic, do ultra-nacionalista Partido Radical Sérvio (SRS), antigo aliado do regime de Slobodan Milosevic, destituído em 2000.

A lei sérvia exige uma participação superior a 50 por cento do eleitorado para que a eleição seja válida. As duas tentativas anteriores, em outubro e dezembro do ano passado, foram canceladas por não terem superado esse marco legal.

Três anos depois da queda de Milosevic, os cidadãos da Sérvia mostram apatia e pouco interesse pela realização de eleições devido a seu descontentamento pelo ritmo lento das reformas, o baixo nível de vida e a corrupção.Além disso, duas principais forças da oposição, lideradas pelos antigos aliados da coalizão governante DOS Vojislav Kostunica e Miroljus Labus, boicotarão a eleição deste domingo.

As pesquisas da última semana mostraram uma participação que oscilava entre 46 e 50,2%, enquanto que houve um alto número de indecisos, em torno de 20%. Segundo dados da Comissão Eleitoral sérvia (RIK), às 9h (7h de Brasília), três horas depois da abertura das seções eleitorais, foi registrada uma presença de 6,95% de eleitores, 0,4 por cento a mais que na eleição cancelada de dezembro do ano passado.

Numa tentativa para estimular os eleitores, o Governo recorreu à convocação de eleições parlamentares antecipadas, exigidas pela oposição e que, segundo as enquetes, levaram mais de dois terços dos cidadãos.

O Governo sérvio, liderado por Zoran Zivkovic, herdeiro político do assassinado primeiro-ministro Zoran Djindjic, admitiu ser incapaz de continuar as reformas, e convocou na quinta-feira passada as eleições legislativas que solucionem a crise política e institucional do país para o dia 28 de dezembro.

Neste domingo, os eleitores sérvios podem depositar seu voto em 8.581 seções eleitorais, sendo 248 em Kosovo, nas regiões povoadas por sérvios nessa província de maioria independentista albanesa, sob protetorado da ONU desde 1999.

O favorito na consulta deste domingo, Micunovic, professor de 73 anos de idade, se mostrou otimista ao depositar seu voto numa seção de Nova Belgrado ao declarar que se eleitores suficientes forem às urnas, vencerei no primeiro turno. “Espero que a Sérvia está decidida a terminar hoje este trabalho e escolher seu presidente”, disse Micunovic, acrescentando que, caso seja eleito, seu primeiro passo será convocar os cidadãos a acudir às eleições parlamentares para que tudo ocorra bem e todas as tarefas sejam terminadas a tempo.

Durante sua campanha, Micunovic assegurou sentir-se capaz de unir as forças reformistas e pró-européias, em contínuas brigas desde que derrotaram Milosevic juntos.

O “ultra” Nikolic se apresentou em sua campanha como protetor dos sérvios acusados de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII), entre eles o chefe de seu partido, Vojislav Seselj, e Milosevic. Após votar em Nova Belgrado, Nikolic disse neste domingo que espera a vitória e uma grande festa esta noite. É a hora da vitória dos que pensam na Sérvia e em seus filhos.

“Estou convencido de que terei mais apoios que Micunovic”, afirmou Nikolic, acrescentando que espera a vitória das forças patrióticas.

Aproximadamente 150 observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) supervisionam as eleições na Sérvia, além dos cerca de 13 mil observadores locais do Centro para as Eleições Livres e a Democracia (Cesid).

Espera-se que as primeiras projeções de participação sejam anunciadas uma hora depois do fechamento das urnas, previst