Serla ajuda a fiscalizar pesca predatória em Saquarema

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Publicado terça-feira, 16 de maio de 2006 as 10:02, por: cdb

A abertura da Barra Franca da Lagoa de Saquarema, na Região dos Lagos, em 2004, e a conseqüente ligação perene com o mar deu nova vida à pesca e aos mais de 800 profissionais associados à Colônia de Pesca Z-24 que vivem da pesca artesanal. Mas o que seria uma razão para comemorar, hoje também é motivo de preocupação: pescadores de regiões distantes do município estão praticando pesca predatória no local sem qualquer controle.

Para solucionar esse problema e outros relacionados com a principal atividade econômica do município, depois do turismo, a Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, doou recentemente um barco inflável com casco rígido e motor de 40 HP à colônia de pescadores de Saquarema.

O equipamento será utilizado para a fiscalização da pesca predatória praticada na lagoa, principalmente por pescadores de outras localidades, como Coroa Grande (Mangaratiba) e Campos, entre outros, e no mar, além de socorro na costa e apoio a eventos municipais.

O presidente da Colônia Z-24, Matheus Alves de Souza Neto, explicou que os cinco pescadores habilitados para operar a embarcação estão concluindo o curso e nos próximos dias começarão o trabalho de fiscalização.

– A expectativa é grande. A embarcação vai agilizar nosso trabalho. Embora não tenhamos poder de apreensão e multa, com o auxílio da Serla vamos encaminhar denúncias rapidamente ao Ibama, ao IEF e aos demais órgãos de fiscalização – comentou.

Matheus Alves lembrou que até a abertura da Barra Franca de Saquarema, para qualquer eventualidade, o apoio mais próximo que havia era em Cabo Frio.

– Agora com a Barra Franca e a embarcação temos condições de monitorar por nós mesmos nossa costa e combater a pesca predatória tanto no mar, feita por traineiras que utilizam redes de arrastão e de fundo, compressores de mergulho e ‘bombas’; e na lagoa, onde usam o arrastão, tróias e ganchos, equipamentos proibidos pela legislação – prometeu.

A retomada da pesca artesanal na Lagoa de Saquarema permitiu centenas de novos associados à Colônia Z-24 voltar à profissão de raiz, abandonada há 15 ou 20 anos por causa da degradação do meio e a quase extinção de diversas espécies de peixes e crustáceos.

O gerente regional da Serla-Lagos, Erasmo Bussinger, acrescentou que o trabalho que será realizado pela Colônia de Pesca contará com o apoio de estagiários a serviço da Serla, voluntários e do Jovens pela Paz. Estes, vão acompanhar as investidas da nova embarcação, relacionar e notificar as irregularidades constatadas, incluindo também ações contra o meio ambiente, como a invasão de faixas marginais de proteção da Lagoa de Saquarema e lançamentos de efluentes clandestinos.