Sendero Luminoso volta a atacar no Peru

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Publicado quinta-feira, 16 de agosto de 2001 as 17:15, por: cdb

O governo do Peru admitiu, nesta quinta-feira, um retorno da subversão no país após a derrubada de duas torres de alta tensão elétrica, supostamente obra dos guerrilheiros do grupo maoísta Sendero Luminoso, provocando um blecaute na região andina do sudeste peruano. Um porta-voz da empresa Electrocentro em Ayacucho, que pediu para não ser identificado, disse à Associated Press que as torres foram derrubadas na quarta-feira no pico do monte Ayahuarcuna, ao norte da cidade.

O porta-voz indicou que o apagão continuava hoje afetando as localidades de Ayacucho, Huanta e Cangallo, que têm em conjunto uma população de 130.000 habitantes. Não ocorriam atentados contra torres de eletricidade na região, nem apagões, desde outubro de 1994.

O ministro da Defesa, David Waisman, admitiu durante entrevista que “realmente, sim. É verdade. A subversão está de volta.” Waisman acrescentou que “em um Estado de Direito a luta contra esse flagelo compete à polícia. Mas as Forças Armadas estão em alerta. Estamos estudando trocar idéias com o ministro do Interior (Fernando Rospigliosi) sobre as ações que devem ser tomadas em conjunto.”

No episódio de violência mais recente, segundo militares, na madrugada de hoje, dois supostos guerrilheiros atiraram contra um sentinela de um posto militar em Ayacucho, 330 quilômetros a sudeste de Lima, quando o soldado ordenou que eles parassem. Ferido na perna esquerda, o sentinela foi hospitalizado. Os atacantes fugiram e a vigilância do posto foi redobrada.

As autoridades também revelaram que, em 7 de agosto, guerrilheiros do Sendero Luminoso atacaram uma patrulha da polícia anti-subversiva na selva central, a leste de Lima, matando quatro policiais e ferindo outros três. O ataque ocorreu em um lugar conhecido como Tsomabeni, província de Satipo, quando a patrulha buscava elementos subversivos que dias antes haviam aparecido em uma comunidade indígena.

Esta semana, centenas de presos condenados por terrorismo, a maioria deles militantes do Sendero, amotinaram-se em várias penitenciárias do país, exigindo a revisão de seus julgamentos por tribunais civis – e não militares, pelos quais foram julgados. As rebeliões carcerárias cessaram depois que o governo disse aos representantes dos presos que não atenderia a nenhuma demanda se eles continuassem com as medidas de força.