Senadores elogiam resistência do Copom diante de pressões do mercado por juros maiores 

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Publicado terça-feira, 22 de março de 2011 as 15:46, por: cdb

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, recebeu elogios de senadores nesta terça-feira (22) pelo que foi considerado um ato de resistência a pressões por um aumento mais vigoroso da Selic, a taxa básica de juros. No início de março, o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pela diretoria do BC, aumentou a Selic em 0,5 ponto, para 11,75% ao ano. A taxa chegou ao nível mais alto dos últimos dois anos, mas setores do mercado financeiro defendiam uma elevação ainda mais forte, na linha de que isso era necessário para conter a alta da inflação.

– O recurso à Selic virou uma coqueluche; qualquer coisa se grita ‘aumento da Selic’ sem se medir a influência que ela tem – afirmou Francisco Dornelles (PP-RJ).

Dornelles foi o primeiro a abordar o assunto durante audiência com Tombini na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O senador havia pouco antes manifestado dúvidas sobre a eficácia da Selic como instrumento de controle da inflação. Conforme alegou, 34% do crédito concedido pelo sistema financeiro são operações direcionadas, sem qualquer influência da Selic sobre a determinação das taxas. Desse modo, haveria pouca utilidade em aumentar a Selic para conter o crédito com o objetivo de segurar a pressão do consumo sobre os preços.

Além disso, Dornelles disse que os juros cobrados no crédito oferecido ao mercado estão na faixa de 30% para as pessoas físicas e jurídicas e não há estudos conclusivos sobre o impacto da taxa Selic na formação desses juros. Mesmo aqueles que admitem essa influência, argumentou o senador, consideram que leva alguns meses para que o efeito do aumento da Selic seja sentido.

Depois de afirmar que o mercado cobrava um aumento de 0,75 pontos na Selic, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) disse que foi “alvissareira” a última ata do Copom. No comunicado, o comitê justificou que “medidas prudenciais” poderiam complementar o esforço para trazer a inflação ao centro da meta. Mas Tombini não respondeu ao apelo do senador para comentar o debate entre os que pedem política monetária mais rígida, com aumento de juros, identificados como “falcões”, em contraponto aos “pombos”. Lindberg aproveitou ainda para defender o ex-presidente Lula e sua equipe da acusação de gastar em excesso e com isso estimular a inflação.

– Há alterações no quadro internacional que favorecem a inflação e problemas de câmbio, mas não venham falar em farra de gastos do presidente Lula – disse Lindberg Farias.

Quem teceu críticas aos gastos do governo foi o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Ele chegou a pedir que Tombini analisasse a situação do endividamento do governo, após dizer que a situação fiscal do país foi determinante para a alta da inflação. Na sua avaliação, as despesas correntes aumentaram desde o início do primeiro governo Lula e foram ampliadas como meio de enfrentamento dos efeitos da crise mundial.

– O fato é que, passada a crise, a gastança continuou porque veio o ano eleitoral – afirmou Aloysio Nunes.

Nas questões debatidas na audiência, o câmbio esteve entre as mais frequentes. Há intensa preocupação entre os senadores com a excessiva valorização do real frente ao dólar, diante do que isso representa para queda de competitividade das empresas nacionais. Mas Tombini deixou sem respostas pedidos de comentários sobre medidas que podem tornar a política cambial mais favorável aos produtores brasileiros.

Participaram ainda do debate os seguintes senadores: Gleisi Hoffmann (PT-PR), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), Cyro Miranda (PSDB-GO), Blairo Maggi (PR-MT), Armando Monteiro(PTB-PE), Eduardo Suplicy (PT-SP), Casildo Maldaner (PMDB-SC), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Marta Suplicy (PT-SP).

Gorette Brandão / Agência Senado