Senador será acusado de lavar US$ 5 bi

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 15 de junho de 2003 as 11:28, por: cdb

O senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) será acusado nesta segunda-feira pelo Ministério Público Federal de lavar US$ 5 bilhões nos Estados Unidos. De acordo com a revista Consultor Jurídico, os procuradores da República Luiz Francisco Fernandes de Souza, Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá vão entregar à Receita Federal, em Brasília, cerca de seis mil documentos sobre as 52 mil pessoas que lavaram US$ 30 bilhões em contas de bancos de Nova York a partir no caso Banestado.

Ao todo, 150 auditores devem participar da análise dos documentos, no que pode encaminhar a autuação de traficantes, sonegadores, corruptos e políticos. O procurador Luiz Francisco disse à revista que o maior foco das investigações é a família de Jorge Bornhausen, “cujo banco familiar, o Araucária, lavou pelo menos US$ 5 bilhões nesse esquema”.

Luiz Francisco disse que, além da lavagem praticada por políticos com o dinheiro de sobras de campanha, há no esquema também a participação do narcotráfico e do tráfico de animais. Na lavagem de dinheiro, as quantias geralmente eram repassadas a “laranjas”, que depositavam o dinheiro no Banestado, que remetia para um banco no exterior, depois para uma off shore da pessoa na Europa.

O procurador defende a urgência de uma CPI para apurar o caso com mais rigor.

– Há agora manobras do governo para que a CPI saia capenga, dai seja suspensa e vire pizza. Temos de ter uma CPI que dure seis meses, com a colaboração de dezenas de investigadores públicos. O governo, sobretudo o ministro da Justiça, está omisso. O ministro está moroso, persegue um delegado (José Castilho) que na verdade deveria ser condecorado. O delegado está sendo humilhado em praça pública, sofrendo um assassinato moral – defendeu Luis Francisco na Consultor Jurídico.

As investigações

Luis Francisco se referiu ao trabalho do delegado José Castilho Neto, da Polícia Federal, que foi aos Estados Unidos investigar de perto o esquema de lavagem de dinheiro. Ele e sua equipe tentaram esclarecer o envolvimento de empresários e políticos brasileiros na remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior por intermédio do Banestado, na chamada operação “Macuco”.

A investigação revelou que, entre 1996 e 1999, os US$ 30 bilhões passaram pela agência do banco nos Estados Unidos com destino a paraísos fiscais, denotando crimes de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. O delegado disse que as investigações sobre a remessa ilegal podem chocar mais o país do que o impeachment do presidente Collor. Conforme Castilho, grande parte desse dinheiro foi enviada de Foz do Iguaçu por políticos e grandes empresários para uma agência do Banestado em Nova York.

No entanto, Castilho Neto foi afastado do caso sob a acusação de prejudicar um acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos, acusação por ele negada. O delegado garantiu ter descoberto a ponta do iceberg em investigação na agência do Banestado em Nova York, mas que precisa de apoio político para prosseguir com o trabalho. E afirma que a mudança de policiais nessa investigação poderá ser um fator de atraso para o esclarecimento do caso.

A CPI e o governo Lula

Os depoimentos dos delegados da Polícia Federal aumentaram o interesse dos deputados da Comissão de Segurança de instalar a CPI do caso Banestado. Falta ainda a indicação dos integrantes do PP, PCdoB e PDT para que ela comece a funcionar.

A instalação esbarra também no receio do governo de que uma nova CPI prejudicaria a discussão das reformas tributária e da Previdência. No entanto, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Nelson Pellegrino (BA), descartou a possibilidade de o Planalto estar trabalhando contra a instalação da comissão.

– Não houve recomendação para não instalar a CPI. Eu não recebi nenhuma recomendação para não indicar os membros (do partido para a comissão), nem fui procurado por nenhum líder partidário no sentido de fazer gestões para que a CPI não fosse instalada – disse na semana p