Senado rejeita indicação de Lula para a ANP

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Publicado quarta-feira, 25 de junho de 2003 as 03:24, por: cdb

O plenário do Senado rejeitou a indicação do ex-deputado Luiz Alfredo Salomão para a diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Por 40 votos contra e 23 a favor, o Senado não aceitou a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que causou irritação entre os líderes petistas.

O governo sempre tem passado apertos com as indicações para cargos que precisam do referendo do Senado. Um exemplo foi as indicações para o Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes (Dnit), sucedâneo do DNER, em que houve empate na indicação de um dos diretores e somente em uma segunda votação houve a aprovação.

O líder do governo no Senado, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), se surpreendeu com o resultado que, pelo número de votos, teve a contribuição de senadores da base governista.

Ele criticou a regra do voto secreto para indicações para cargos desse tipo, o que, segundo ele, dá margem a um comportamento antidemocrático.

– Estou aborrecido. Salomão foi deputado atuante, constituinte e esteve à frente da CPI do PC e do Orçamento. Voto secreto é sempre uma surpresa – disse Mercadante, lembrando que não houve nenhuma objeção à indicação de Salomão na Comissão de Infra-estrutura, que o sabatinou.

– Isso é muito ruim para o governo – comentou o líder do PT, Tião Viana (AC), com senadores, ao tomar conhecimento do resultado.

Salomão estava tão certo da aprovação de seu nome que em maio chegaram a ser distribuídos convites para a cerimônia de posse, que ele decidiu marcar para o dia 2 de junho, no Clube de Engenharia, no Rio. Os convites foram recolhidos na última hora devido ao atraso do Senado em votar sua indicação.

Ele garantiu, no entanto, que o convite não partiu dele, mas sim do diretor-geral da ANP, embaixador Sebastião do Rego Barros. A divulgação da posse à imprensa foi feita, contudo, pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), onde Salomão é coordenador do curso de Políticas Públicas.

– Congresso é assim. Quando a maioria quer ir para um lado, vai. Quando quer ir para o outro, vai também. Governo tem de ter humildade e aceitar – comentou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Salomão disse achar lamentável para a ANP o fato de ter sido vetado. Isso porque a agência, que está há cinco meses sem diretor, vai ficar desfalcada por mais alguns meses. Ele afirmou que não considera o veto ao seu nome um caso pessoal, mas sim uma ação contra o governo.

– Foi uma sabotagem contra o governo, porque o meu nome tinha sido aprovado por unanimidade na sabatina – afirmou Salomão.

Ele disse ainda estar se sentindo traído pelos líderes no Senado do PFL, Agripino Maia, e do PSDB, Artur Virgílio. Isso porque, segundo Salomão, os dois senadores haviam prometido que os dois partidos votariam a favor de sua indicação para a diretoria da ANP.

Salomão foi muito ligado ao presidente do PDT, Leonel Brizola, hoje opositor do governo Lula. Salomão foi líder do partido. No primeiro governo Anthony Garotinho, no Rio, assumiu como secretário de Transportes.

Quando o então governador rompeu com Brizola, Salomão o acompanhou e foi para o PSB. Filiou-se ao PT no fim de 2001, num ato que teve a presença de Lula. Foi candidato a deputado federal na última eleição, mas não se elegeu.