Senado homenageia os 39 anos da Rede Amazônica de Rádio e Televisão 

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Publicado quinta-feira, 1 de setembro de 2011 as 15:38, por: cdb

O Senado homenageou nesta quinta-feira (1º) a Rede Amazônica de Rádio e Televisão pela passagem de seu 39º aniversário. Autor do requerimento para a realização da sessão, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), disse nesta quinta-feira (1) que a homenagem não se restringe ao grupo empresarial, mas se estende também ao seu idealizador e presidente, jornalista Phelippe Daou.

Randolfe lembrou que a criação da TV Amapá, afiliada da Rede Amazônica, foi idealizada no ano seguinte, em 1973, durante um jantar na residência do ex-governador José Lisboa Freire, em resposta a uma enquete em que a população do então território acusou a falta de “uma televisão” para viver melhor. Foi montada uma TV experimental do governo estadual.

– Em 1974, essa rudimentar televisão conseguiu exibir os jogos da Copa do Mundo de Futebol em videotape, com cerca de quatro horas de atraso. Os jogos eram gravados em Belém, na TV Guajará, e trazidos pela equipe em grandes e pesados rolos de metal e fita em avião do governo, que ficava à disposição da empreitada – relatou.

O senador contou que a TV Amapá só se tornou uma empresa comercial em 1975, após Phelippe Daou comprar os equipamentos da TV governamental e teve seu primeiro endereço numa casa alugada de dona Romilda Correia, que se tornou madrinha da TV. Ele assinalou que a primeira novela exibida foi Meu Pedacinho de Chão, uma produção educativa da Rede Globo, que tinha a disputa pela terra como pano de fundo para uma história de amor.

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) disse que, ainda hoje, quando se pensa em Amazônia há uma impressão distorcida da região. Ele ressaltou que a Rede Amazônica faz um trabalho gigantesco de integração de 61% do território nacional, que ultrapassa o campo empresarial. Para o senador, a Amazônia toda tem que agradecer, reverenciar e aplaudir a coragem de Phelippe Daou e toda a sua equipe. 

Pioneirismo

O senador Geovani Borges (PMDB-AP) destacou a visão de futuro e o empreendedorismo de Phelippe Daou ao integrar o povo amazônico ao Brasil e ao mundo. Ele também destacou o fato histórico de a Rede Amazônica ter sido a primeira no Brasil a transmitir em cores e que, desde 2010, as transmissões são 100% em alta definição. Geovani parabenizou o grupo de comunicação por cumprir o papel de agente transformador da sociedade, “ao mesmo tempo em que difunde informações com qualidade e ética”.

O senador Jorge Viana (PT-AC) disse que a história da Rede se confunde com a história da região, pois segundo ele tudo o que os amazônidas constroem é feito com um pioneirismo herdado daqueles que desbravaram a floresta para extrair a borracha. Ele assinalou que as dificuldades nunca impediram ao amazônidas de se comunicarem, vencendo grandes distâncias.

– O rádio sempre foi um dos bens mais preciosos das famílias que moram nas áreas rurais e florestais. É através dele que chegam as notícias do mundo e também da própria família, através do programa de mensagens nas emissoras de Ondas Médias, como, por exemplo, o programa “Voz das Selvas”, da Rádio Difusora Acreana – relatou.

O senador Alfredo Nascimento (PR-AM) disse que a Rede Amazônica abriu uma das janelas mais importantes para o Brasil conhecer a realidade da região e contribuir para o seu futuro. Ele afirmou que Phelippe Daou foi um visionário que construiu um império de comunicação sustentado na ética, na credibilidade, na isenção, na curiosidade permanente e na sensibilidade de perceber o que é importante para seus telespectadores.

– Astuto observador do funcionamento das instituições e da política, ele construiu seu império sem recorrer ao jogo político mais rasteiro e jamais se omitiu no apontamento dos acertos e das mazelas de nosso estado.

TV digital

Phelippe Daou disse que a homenagem é uma “bondade muito grande da Mesa, que tem outros assuntos a tratar”, e agradeceu tudo o que foi dito a respeito da Rede Amazônica. Ele destacou como passos importantes a estadualização da Rede, com uma direção em cada estado e a autorização do governo para a transmissão em cores. O empresário explicou que a Rede está inteiramente digitalizada, apesar da falta de técnicos para a TV digital, mas estão sendo realizados cursos com os fabricantes de equipamentos.

– A Rede Amazônica é muito mais ideal do que empresas com objetivos puramente mercantis. Entendemos que a Amazônia precisa ser mostrada. O Brasil será muito mais importante do que é hoje no dia em que der a devida importância à Amazônia – afirmou.

O presidente José Sarney disse ter acompanhado as dificuldades enfrentadas por Phelippe Daou para implantar a Rede Amazônica, que hoje é um exemplo no Brasil. Segundo ele, muito do que hoje é a Zona Franca de Manaus se deve à defesa feita pelo pioneiro Phelippe Daou. Sarney ainda ressaltou a capacidade de do empresário de saber escolher e comandar equipes, e disse que espera estar no Senado no próximo ano para comemorar os 40 anos da Rede Amazônica.

O senador Aníbal Diniz (PT-AC) e a senadora Ana Amélia (PP-RS) apontaram o legado deixado para as futuras gerações. Ana Amélia disse que as histórias da Rede Amazônica e da gaúcha RBS, onde trabalhou como jornalista, são similares no comprometimento com a integração e valorização do regionalismo. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) também elogiou o desbravamento e o pioneirismo da Rede Amazônica de Rádio e Televisão.

Ricardo Icassatti / Agência Senado